Os méritos dos Vanden Plas e Redemption são mais do que consumados e já mereciam destaque no FUNDAMENTAIS DO PROGRESSIVO, apenas pecando por tardia. São dois álbuns prematuros nas suas discografias e ainda apresentam ambos os grupos em formação musical e conceptual, mas ainda assim são dois álbuns que, com o decorrer dos anos, se tornaram icónicos e obrigatórios na nossa colecção.

Vanden Plas – 1997 – The God Thing

Os lendários mestres da opera rock e do metal progressivo mostram aqui uma qualidade digna de nota. Os Vanden Plas criam um som que, mais tarde, se foi diferenciando e pendendo para a opera rock com forte influência do metal progressivo. Neste The God Thing, um disco de metal progressivo com traços de power metal, o grupo desenvolve o conceito da religião, espiritualidade e divindade. Apesar de, claramente, não ter definido o seu estilo e de ainda faltar alguma maturidade no seu som, é mais do que perceptível no que no grupo se iria transformar com o decorrer dos anos.

Lista de faixas para The God Thing:

01. Fire Blossomvanden plas the god thing
02. Rainmaker
03. Garden Of Stones
04. In You: I Believe
05. Day I Die
06. Crown Of Thorns
07. We’re Not God
08. Salt In My Wounds
09. You Fly

A grande faixa de destaque do álbum é, sem dúvida, “Rainmaker” que é a mais grandiosa música de todo o disco e a que mais se assemelha com o estilo que a banda foi adoptando. A ideia de conceito foi sendo adoptada desde o seu primeiro álbum, mas que se foi tornando mais complexa neste lançamento. Gostaria ainda de destacar as faixas: “Garden Of Stones”, “Day I Die”, “Salt In My Wounds” e “You Fly” que todas elas demonstrativas do excelente metal progressivo que o grupo alemão conseguiu compor.

Apesar de muitos afirmarem que é um disco com muitas influências presentes, eu discordo com essas afirmações. Eu julgo que, apesar de o estilo não ser ainda o mais consolidado, a banda conseguiu demonstrar uma grande capacidade para se autonomizar e conseguir criar para lá do metal progressivo. Não julgo que tenha muitas influências de outras bandas e sou da perspectiva que, o som criado neste álbum, consegue apresentar uma banda que foi capaz de idealizar o pretendido, conceber um excelente conceito e, instrumentalmente, apresentar um som muito pesado de metal progressivo com influências no power metal. É um daqueles discos que se foi refinando ao longo do tempo. E para os fãs dos Vanden Plas, como eu, ouvir The God Thing consegue ser uma lufada de ar fresco, visto apresentar uma direcção musical diferente, da apresentada actualmente, e que acrescenta maior variedade à discografia da banda.

Vanden Plas – The God Thing (álbum na íntegra)

Redemption – 2003 – Redemption

Redemption é o disco de estreia do grupo homónimo formado por ex-membros dos Fates Warning. Apesar de ser considerado por muita da crítica como o pior lançamento da sua discografia, Redemption é, provavelmente, o álbum mais progressivo e mais complexo conceptualmente de toda a discografia da banda. Apesar de, actualmente, contar nas vocais com o icónico Ray Alder, neste álbum a banda conta com Rick Mythiasin, e com Jason Rullo, na bateria.

Lista de faixas para Redemption:

01. Desperation Part IRedemption_large
02. Desperation Part II
03. Desperation Part III
04. Desperation Part IV
05. Nocturnal
06. Window To Space
07. As I Lay Dying
08. Something Wicked This Way Comes

Este disco apresenta uma vertente mais pronunciada, em termos, de conceptualidade, que apesar de ser uma constante nos discos que se seguiram, apresenta-se de forma mais cruel e primitiva, por vezes. A tendência dos Redemption foi sempre invocar emoções negativas e sentimentos de sofrimento. Considero que neste primeiro álbum se verifica uma tendência de impressionar através do conceito, com a apresentação e a composição de faixas bastante cruéis e líricamente pesarosas. Apesar da banda nunca apresentar uma narrativa ou história conceptual, como é comum com bandas como Dream Theater ou Riverside, por exemplo, os Redemption têm sempre um tema comum que se prolonga ao longo do álbum. De destacar a faixa conceptual, “Desperation”, e a mais longa faixa da discografia e espectacular, “Something Wicked This Way Comes”. No entanto, todo o disco é, como se costuma dizer, “de encher o olho” e uma verdadeira malha ao metal progressivo, ao qual se deveria prestar muito mais atenção.

Autor: João Braga

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