Com mais alguns artigos por publicar até chegar à marca 100, o FUNDAMENTAIS DO PROGRESSIVO regressa, novamente, para ficar mais assiduamente na vossa companhia. Quero dedicar este artigo a duas bandas marcantes e pioneiras, no género rock progressivo/sinfónico. Falo, pois, em primeiro lugar, dos primeiríssimos no seu género, juntamente com Procol Harum, Van der Graaf Generator e os históricos e uma das minhas bandas preferidas, Genesis. Apesar de já terem sido apresentadas neste espaço, estes dois álbuns têm em comum o facto de terem marcado as carreiras de ambas as bandas e terem definido as opiniões de muitos dos seus fãs.

Van der Graaf Generator – 1969 – The Aerosol Grey Machine

Peter Hammill é o grande fundador desta banda. Apesar de eu preferir o seu terceiro álbum de estúdio, apresentado num Fundamentais do Progressivo anterior, este disco conseguiu colocar a barreira de exigência para novas bandas aparecerem e poderem ter sorte num mundo da música que estava agora a conhecer o seu primeiro sabor a rock progressivo.

Não tem comparação com alguns dos álbuns que se seguiram ficando, na opinião de muitos críticos, bastante abaixo dos seguintes 5 ou 6 discos de estúdio da banda. No entanto, The Aerosol Grey Machine conseguiu subir a barreira de complexidade e, apesar de não ser muito consistente ou até muito energético, focou a atenção dos fãs para um novo género de música que, graças à banda britânica, começava a surgir.

Lista de faixas para The Aerosol Grey Machine:

01. Afterwardsaerosol_mercury_front
02. Orthenthian St. (Part I)
03. Orthenthian St. (Part II)
04. Running Back
05. Into a Game
06. Aerosol Grey Machine
07. Black Smoke Yen
08. Aquarian
09. Necromancer
10. Octopus

O disco, apesar de não muito consistente, apresenta um conjunto de faixas que marcaram o resto da carreira da banda. Basta atentar às grandes faixas, “Aquarian” e “Octopus”, que são decerto duas malhas de rock progressivo/sinfónico muito pouco para a altura. “Afterwards”, apesar de ser um início pouco fervoroso, indicia que o disco contém muitas das características que se tornaram famosas ao longo da carreira do grupo.

O álbum consegue ter os seus momentos. Apesar de não ser conciso ou consistente, e apresentar uma certa lentidão musical típica de um lançamento de estreia, o grupo consegue ter grandes momentos de composição, com duas faixas longas claramente significativas e coincidentes com o talento e valor que esta banda veio a mostrar mais tarde.

Van der Graaf Generator – The Aerosol Grey Machine (álbum na íntegra)

Genesis – 1980 – Duke

Este é um álbum que queria juntar à nossa colecção há já algum tempo. Apresenta um Genesis muito diferente do disco anterior, com mais indícios do que seria o seu estilo musical na restante década de 80. Não sou um daqueles fãs que só gosta da banda até 1974, com a saída de Peter Gabriel, ou 1976, com a saída de Steve Hackett. Em 1978, os Genesis ficaram reduzidos a três elementos, compondo um bastante credível disco de estúdio com muitos dos elementos do rock progressivo que existiam antes.

Lista de faixas para Duke:

01. Behind The LinesDuke+Definitive+Edition+Remaster+dukedefremastered
02. Duchess
03. Guide Vocal
04. Man Of Our Times
05. Misunderstanding
06. Heathaze
07. Turn It On Again
08. Alone Tonight
09. Cul-De-Sac
10. Please Don’t Ask
11. Duke’s Travels
12. Duke’s End

A magia do álbum existe na suite “Duke” composta por seis faixas, “Behind The Lines/Duchess/Guide Vocal/Turn It On Again/Duke’s Travels/Duke’s End”, que conta a história de Albert, um falhado em tudo, que saiu mais vezes de um hospital psiquiátrico do que o número de dedos que tem na mão e que é um completo irremediável social. Esta suite é, de facto, demonstrativa da intenção do grupo em manter os elementos progressivos presentes nos seus lançamentos. Uma das grandes facetas que o grupo conseguiu foi manter as suas raízes, mesmo após a saída de dois membros tão importantes para a definição do seu estilo musical.

O restante álbum é Genesis 80’s, com faixas românticas sobre o amor, desilusão, desgosto ou paixão. Apesar de serem boas faixas de rock com elementos de pop, aqui e ali, fica-se com a sensação de inconsistência mas que é compensada com a presença da faixa “Turn It On Again”, que faz parte da suite “Duke”. O pop/rock presente no disco é de excelente qualidade quando comparado com muito do pop/rock que se foi fabricando ao longo das décadas, e por isso julgo que os vários Genesis que houve foram um reflexo das mudanças impostas ao grupo, e a sua capacidade de reciclagem é incrível, conseguindo compor faixas com verdadeira qualidade.

Genesis – Duke (álbum na íntegra)

Autor: João Braga

Leave a Reply

Your email address will not be published.