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Boa disposição no Festival Bardoada & AJCOI

Pelo terceiro ano consecutivo realizou-se, novamente no Espaço Contrafacção no Pinhal Novo, o festival Bardoada & AJCOI. Para um festival que tem vindo a crescer e a melhorar bastante em diversas formas, esta foi mais uma edição que culminou em dois dias perfeitos para os amantes da música pesada e alternativa. Em cada um dos dias contámos com a presença de sete bandas, o que resultou num serão um pouco longo mas onde não faltou animação, e por falar em animação, não podemos deixar de referir as actuações dos Bardoada que, entre os intervalos de cada banda, nos mostravam os seus dotes com o seu grupo de percussão, como não poderia deixar de acontecer. Entre as catorze bandas que actuaram, não deve ter havido uma que não tenha prestado os seus agradecimentos a Igor Azougado, mais conhecido como vocalista de Shivers. Afinal, ele é um elemento fundamental na organização deste Festival.

Sexta-feira, dia 2/10

Já não é novidade para quem tem acompanhado este festival que as primeiras bandas normalmente são locais, ou quanto muito, dos arredores. E, portanto, para iniciar estes dois dias de diversão, vieram os Escroto, a banda punk pinhalnovense que se fez ouvir por volta das 19h30. Não contavam ainda com a casa cheia e, infelizmente, também não nos foi possível acompanhá-los, mas, quando lá chegámos, nos rostos de quem já lá estava não vimos desânimo, antes pelo contrário. Artigo 21 foram a segunda banda da noite, vieram com a energia característica do punk rock e deram-nos aquilo que nós queríamos. Entre vários temas, “Revolta-te”, “Ser Capaz” e “Máscara” foram alguns dos seleccionados. Eles já nos tinham prometido abrir o apetite quando anunciaram a sua ida ao festival, e, de facto, cumpriram!

E como este festival não se restringe apenas a um grupo restrito de estilos, a prova disso foi Branco, uma mistura entre o rap na voz e rock no instrumental. Do seu álbum de estreia lançado este ano, Camelot, os temas que mais nos ficaram na memória foram “Dia de Treino”, “Palavra Chave” e “PNM” (Palavras não Magoam).

Depois da actuação de três bandas, finalmente a casa começou a encher. Terá sido por ser uma melhor hora depois de um dia de trabalho ou será por Moe’s Implosion serem uns miúdos giros e terem levado com eles mais público feminino? Não sabemos, mas a verdade é que conseguiram ser surpreendentes e trouxeram do Montijo o seu rock alternativo e percussivo. O vocalista não deixou de ser expressivo nem por um momento e com sons como “Fassbender”, “The Storm” e “Mastodonte” do álbum Savage, conseguiram levar o público a um estado de êxtase.

Após um momento de “loucura”, subiram ao palco Um Zero Azul, num ritmo mais calmo, mas ainda assim proporcionaram uma actuação única neste dia, com os seus sons melódicos e fáceis de acompanhar. Foram várias as músicas que o público acompanhou em uníssono, como “Saudade”, “Alimento”, e “A Solidão de Não Saber o Que Esperar”, mas a mais conhecida entre todos foi sem dúvida “Quem não quer ver?”, que ditou a despedida. É de salientar ainda o solo do baterista David Sequeira a meio desta actuação.

Antes do último concerto estiveram ainda os Low Torque, que trouxeram consigo uma onda de energia que contagiou o público e o levou ao rubro. Aqui já se viam os primeiros moshes, era impossível que o público não perdesse a cabeça com este ritmo acelerado e surpreendente, como sempre. Foi também uma surpresa para nós ver o novo vocalista da banda, David Pais, que integrou recentemente banda. “Sasquatch” e “Croatoan” foram algumas das músicas do seu novo álbum que pudemos ouvir.

Se alguém estava cansado depois de um dia de trabalho, pois bem, os Peste & Sida também não deram descanso. Claro que ninguém esperava que dessem, aliás o público esperava-os ansiosamente. São da velha-guarda e sabem exactamente o que fazer em dias de festa, nunca desapontam ninguém. Constatamos que o vocalista João Pedro Almendra tinha algumas falhas na voz, mas no fim melhorou bastante. Os grandes clássicos como “Está Na Tua Mão”, “Orgia”, “Bulé Bulé” e “Sol da Caparica”, não podiam deixar de se fazer ouvir, entre muitos outros, tal como as brincadeiras proporcionadas pela banda que ainda brindou os resistentes com um medley no final.

Eram já cerca das 3h da manhã quando os Peste & Sida deram por finalizado o seu concerto, tal como este primeiro dia cheio de boa música e boa disposição.

 

Sábado, dia 3/10

À semelhança do dia anterior, tínhamos pela frente uma noite que prometia, não fossem os nomes como For The Glory, Switchtense e Ramp, bastante conhecidos em solo nacional. Mas as grandes surpresas não se ficavam por aqui.

Mais uma vez, oriunda do Pinhal Novo, The Tree Leaves foi a banda que inaugurou o dia. Ainda bastante jovens, coube-lhes a difícil tarefa de segurar um público que ainda não abundava pelo recinto, mas que já se ia condensando dentro da tenda, ao som de riffs que nos lembravam Nirvana. Um som mais pesado afirmou-se de seguida na pele dos Diabolical Mental State que trouxeram malhas valentes, bem ao estilo do thrash e com um groove que conseguiu arrancar os primeiros moshes da noite.

Uma das principais atracções esta noite foi sem dúvida Quinteto Explosivo, que arrancaram gargalhadas do início ao fim. Começando pelos primeiros acordes de três segundos, em que logo de seguida o vocalista agradeceu e todos saíram do palco, passando pelas letras hilariantes e ainda as inúmeras piadas pelo meio. António Guterres (voz) referiu várias vezes que aquilo era um «insulto à música a sério». Além das músicas “Pró C*ralho, Filhos da Puta”, “C*na, C*na, C*na, C*na, C*na“ e “Super Caralhão Atómico (No Teu Cu)”, tocaram ainda músicas de Comme Restus, “Eu Xamome Ãtónio”, e “Amandame côa Paxaxa Pus Dentes”, com a participação especial do baterista Gosmo, que pertencia à banda original. “Warriors Of The Hezbollah”, de Kalashnikov, também fez parte do repertório, e ainda teve direito a um medley com “És tão Sensual”, do Toy. Mais perto do final, ainda subiram ao palco membros dos Diabos da Bardoada, que com pirotecnia encerraram o espectáculo. Podíamos enumerar variadíssimos bons momentos, mas assim não teriam metade da graça, o melhor mesmo é ver.

For The Glory entraram a seguir num registo bastante diferente, trazendo consigo toda a pujança do hardcore. Não houve quem ficasse indiferente ao seu ritmo. “Some Kids Have No Face” e “Lisbon Blues” foram dois dos vários temas que a banda nos trouxe. Depois desta actuação continuaram, num registo semelhante, os Trinta & Um. Bastante acarinhados pelo público fizeram ouvir os temas “Filhos do Divórcio” e “Devo Ódio ao Mundo”. A banda convidou ainda um membro dos gateiros dos Bardoada para subir ao palco e acompanhá-los num tema mas, infelizmente, foi quase impossível conseguir ouvir-se a gaita-de-foles. De qualquer forma, apreciámos o gesto.

O festival já se ia aproximando do fim, mas claro que antes restavam ainda duas grandes bandas. Switchtense já tinha sido cabeça de cartaz no primeiro ano do evento, mas com imprevistos de última hora acabaram por ser substituídos, mas à terceira é de vez! Não foram cabeças de cartaz, mas quase. A empatia com os fãs era louvável, estes que levavam a plateia toda com eles numa infindável sucessão de circle pits. A meio, Hugo Andrade comentou com o público que a sua banda preferida era For The Glory, e convidou o vocalista Congas para juntos cantarem “I Will Stand Stronger”. “The Right Track” e “Super Fucking Mainstream” foram outras das escolhidas para a setlist desta noite.

Chegou a hora de encerrar este festival, e nada melhor do que os RAMP para agarrar esse papel. Eram esperados ansiosamente pelo público, onde uma grande maioria notava-se já acompanhar a banda há vários anos. Ao som dos primeiros riffs de “Dawn”, Rui Duarte apelou ao público para que não se esquecesse de ir votar no dia seguinte. “Insane” foi um dos temas que mais se destacou, juntamente com “Alone”, entoadas por toda a sala. A mistura entre o metal e a simpatia desta banda é fantástica e, depois de tanta espera, valeu bem a pena, foram excepcionais mais uma vez.

E assim foi mais um Festival Bardoada & AJCOI, que esperamos que para o ano continue com o bom trabalho e a surpreender-nos como têm feito, porque festivais assim não se encontra em qualquer lado – muita e boa música e um excelente ambiente é algo que já vai caracterizando estes dois dias.

Fotografia: Rute Pascoal
Texto: Inês Ariana

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