Início de Setembro. Para a maioria é tempo de voltar às aulas, ao trabalho e à rotina. Acabaram-se as férias, os festivais de verão, os concertos e é tempo de dizer um “até para o ano” aos calções de banho e às toalhas de praia porque a partir de agora banhos só de água doce. Para a maioria, mas não para todos.

Para a malta do hardcore é altura da European Hardcore Pool Party, um dos eventos mais aguardados do ano. E o que dizer desta “European Hardcore Pool Party”? Só coisas boas.

A começar pelo nome que leva o leitor mais desenquadrado a questionar-se o que faz um festival “desconhecido” que se realiza num clube náutico em Alcochete a auto-intitular-se de “European”. Pois bem, fica já a nota de que apesar de ter uma lotação de apenas 500 pessoas, este festival tem aproximadamente 1000 confirmações no Facebook e a sua língua oficial é o Inglês. Sim, neste festival há (muito) mais estrangeirada do que “tugas”, e os próprios “tugas” vêm de vários pontos do país e, mesmo apesar da edição deste ano não ter esgotado, venderam-se bilhetes para mais de 20 países diferentes, incluindo os Estados Unidos.

E o que atrai tantos países? Bom, para além da beleza da cidade lisboeta que serve de segunda paragem para a maior parte dos visitantes do festival, os preços baixíssimos em comparação com os outros festivais e países – 1 euro a imperial, 2 euros o balde e cerca de 4 euros uma refeição – a grande “família” que é o Hardcore, o constante bom ambiente e a grande boa disposição que vive servem também de cartão de visita.

E não podiam faltar as clássicas bóias na piscina, as bancas de roupa, merchandising e ajuda aos animais (esta ultima a ser referida por várias bandas de forma a apelar à contribuição por parte do público), palestras, DJs a passar música para a piscina que ia do Ska ao Hardcore, e as actuações em jeito de sunset, ao vivo para a piscina.

Infelizmente não se conseguiu aqui comparecer dia 11, perdendo assim as actuações dos Push, The Bridge, The Setup, World Eater, Risk It! e Broken Teeth, mas disseram as línguas do dia seguinte os alemães Risk It! mandaram a casa abaixo.

 

No dia 12, a actuação em acústico de We Blees This Mess fez as delicias de quem estava na piscina e de quem já se estava a secar na relva, mostrando entre covers e originais o porquê do ascendente deste projecto nacional.

Os Challenge abriram o palco de concertos com o seu Hardcore das Caldas da Rainha, seguidos pelos ingleses Kartel e pelos Redemption Denied que contam na sua formação com membros belgas e alemães. De seguida estiveram os portugueses Grankapo, regressados de uma pausa de 1 ano e 9 meses mas, como fizeram questão de frisar: «com a mesma pica», afirmando que voltaram para ficar e que o público pode esperar noticias brevemente. Foi um bom concerto de regresso, por isso cá estamos para ver! Um grande concerto foi o que deram os holandeses All For Nothing, a única banda encabeçada por uma vocalista. Ficando o público rendido à energia não só da vocalista, mas também do resto da banda que não parou um segundo durante toda a actuação.

Para o fim, a jogar em casa estiveram os For The Glory com um set composto pelos temas mais antigos mas também pelos do seu último trabalho Lisbon Blues, como já seria de esperar, e os grandes No Turning Back que, vindos directamente da Holanda mas também a jogar em casa, deram um concerto composto sobretudo pelo seu “acabadinho” de sair Never Give Up. Escusado será dizer que tanto uma banda como a outra rebentaram a casa, e que durante os dois dias do evento o mosh foi gigante e os circle pits, steps e crowdsurfs foram apenas para os mais bravos.

No fim ainda houve tempo para uma after party onde deu para ver as “Hardcore Girls” (e não só!!) a dançar e a dar voz no karaoke de temas de Bon Jovi, Rihanna ou Katy Perry, onde deu para o pessoal falar e gastar os últimos trocos e onde, mais uma vez, deu para notar o espírito positivo que se viveu durante o festival inteiro. Numa visita à página oficial do festival vemos manifestos de saudades, que a banca de ajuda aos animais foi um sucesso, e que já há datas para 2016! Todos bons motivos para repetir.

Fotografia: Manuel Casanova
Texto: João António Silva

2 Responses

  1. Miguel Grankapo Santos

    Só uma correcção: Grankapo esteve a pausar apenas 1 ano e 9 meses, e não 3 anos!! “… portugueses Grankapo, regressados de uma pausa de 3 anos mas, como fizeram questão de frisar: «com a mesma pica»…”
    Obrigado pela review!
    Miguel Grankapo

    Responder

Leave a Reply

Your email address will not be published.