Não falta muito para o regresso do Amplifest. É já nos próximos dias 19 e 20 que um dos nossos fins-de-semana favoritos do ano volta ao Hard Club e ao Porto para celebrar a sua quinta edição. Desde a música ao cinema, das palestras à cidade que lhe dá berço, está a chegar a altura de olhar para o plano geral da experiência que está para vir.

Amplificasom. Não poderíamos abrir uma antevisão sem falar na promotora que torna tudo isto possível. Já lá vão quase dez anos no activo e agradecer-lhes pela quantidade de noites e de momentos memoráveis que passamos com eles é a tarefa mais ingrata do mundo. Pelo eclecticismo, pelo olho ao pormenor, pelo respeito pelo público e artistas que sempre mostram, pela simpatia e por nos receberem a todos de braços abertos evento após evento, a Amplificasom não tinha como não ter um lugar especial nos nossos corações.

Música. Não só mas também. É em grande parte pela música e pelos concertos que vive o Amplifest. Já aqui fomos arrebatados por concertos de Swans e GY!BE, deixados de queixo caído pelos Oxbow Duo, pulverizados pela fúria de Ben Frost, apanhados pela ascensão vertiginosa dos Deafheaven e dos Pallbearer, perdidos na penumbra dos Bohren & Der Club Of Gore e impotentes perante a força duma senhora chamada Carla Bozulich e dos seus Evangelista. São tantas as memórias que chega a ser injusto enumerar algumas. Deste ano, não esperamos outra coisa que não acumular outras tantas, e num cartaz que junta nomes destes chega a parecer demasiado fácil que assim seja. Desde o ansiado regresso a Portugal duns rapazes de seu nome Converge, à consolidação dum furacão que vem de Flandres e que sopra negrume além fronteiras (Amenra), a uns dos cérebros por de trás dos lendários Sunn O))) numa apresentação a solo (Stephen O’Malley), a uma das últimas oportunidades de ver em palco uma das bandas mais interessantes que o black metal viu nascer em anos recentes (Altar of Plagues), ao mentor destes últimos a brindar a pista com o seu mar de electrónica regada a soul e rnb (WIFE), a um dos mais influentes e hipnotizantes artistas da cena ambient e experimental que o mundo teve a felicidade de ver nascer (William Basinski), à possibilidade raríssima e ainda bem recente de presenciar os horrores de Gnaw Their Tongues ao vivo e ainda à afirmação de projectos como os Wiegedood, Noveller e o do português Miguel Béco de Almeida sob a bandeira de ∆TILLL∆.

Amplitalks, filmes e demais. O Amplifest também se faz de cinema, de exposições e de palestras. De oportunidades para comprarem os vossos discos favoritos e uma t-shirt à vossa (nova) banda preferida. No Mainhall do Hard Club vão encontrar-se Stephen O’Malley, Nate Hall, James Kelly, Colin Van Eeckhout e muitos outros para discutir projectos a solo e os limites e as fronteiras da música. Estão também marcadas as exibições de “Here Is A Gift For You” – An Old Man Gloom documentary e de The Andromeda Splinter – A Mythical Conspiracy, entre outros, havendo ainda espaço para a apresentação de Nós somos a tempestade, o novo livro de Luíz Mazetto. Não é mesmo só de música que se faz o Amplifest.

Hard Club. O antigo Mercado Ferreira Borges de 1885, apesar de convertido agora a sala de eventos, conserva as suas formas originais e é mais uma vez a sala das máquinas deste Amplifest. Situado em pleno centro histórico do Porto, a caminhada até ao Hard Club é um verdadeiro prazer, não deixando porém de ser servido por inúmeras opções de transporte público e estacionamento. Por cá já perdemos a conta à quantidade de concertos que por lá vimos, mas não nos conseguimos fartar de lá voltar.

Porto. Poucas cidades na Europa e no mundo serviriam tão bem de casa ao Amplifest como a cidade que o viu nascer. O Porto está na moda, está em todo o lado e não há muito que vos possamos dizer que já não tenham lido num guia qualquer. O melhor de tudo é que é mesmo verdade, o Porto é uma cidade incrível e que vos faz sentir estranhamente em casa desde o momento em que a pisam pela primeira vez. Parem para uma boa francesinha algures, bebam um “príncipe” nos mil e um tascos e tascas da cidade, percam-se na magia das ruas e ruelas que lhe servem de artérias, fiquem pelo fresco do nevoeiro da madrugada e não deixem passar a vista de Miragaia sobre o Douro. Agradeçam-nos depois.

First Light. Um evento para aqueles que marcam presença mais cedo e que tem data marcada para a sexta-feira imediatamente anterior ao Amplifest. A Amplificasom convida-vos a um hambúrguer vegan pelo Black Mamba, sendo que há mesmo direito a 10% de desconto na refeição (sujeito a reserva, informem-se aqui) e em todos os discos e itens da loja na apresentação de bilhete para o festival. Como se não bastasse, a caravana ainda desce rua até ao CAVE 45 pelas 22h, para uma noite de copos e de selecção musical variada, a cargo da própria Amplificasom e dos demais parceiros de media. Nós também vamos lá estar e contem ver-nos no deck a partir da uma da manhã.

Autor: Rui Andrade

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