Ao fim de um ano chegou novamente a tão esperada Festa do Avante! à Quinta da Atalaia. Para uns, é mais uma forma de diversão, para outros, é já um modo de vida. Como já não é novidade para ninguém, neste 39º aniversário pudemos contar com mais um ano de camaradagem e animação, que também só foi possível graças à ajuda de boa comida, bebida, e actuações incríveis, desde a música à dança e ao teatro. É de salientar ainda os espaços criados a pensar em todos os gostos e idades, tais como o espaço criança, o polidesportivo, o pavilhão do conhecimento, a bienal de artes, as festas do livro e do disco, o espaço internacional, entre muitos outros, que são sempre pontos bastante interessantes que devem ser visitados.

Estes três dias foram essencialmente marcados por concertos na quase uma dezena de palcos espalhados pelo recinto, protagonizando actuações das mais variadíssimas bandas, desde jovens talentos, às já bem conhecidas do público, inclusive algumas que já não são nenhuma novidade nesta grande festa e que são sempre recebidas com um enorme gosto.

Sexta-feira, dia 4

Finalmente o dia tão esperado por muitos chegou e, como já é hábito, foi-nos possível usufruir de um bom espectáculo musical, desta vez com a Orquestra Sinfonietta de Lisboa, que nos trouxe A festa vai ao cinema, porque, sendo o cinema a sétima arte, fazia todo o sentido trazê-lo para esta festa. E foi com o tema “Assim Falava Zarastustra” do filme 2001: Odisseia no Espaço, que o palco 25 de Abril se estreou em 2015. Além deste tema, outros clássicos também foram ouvidos pelas milhares de pessoas que já marcavam a sua presença, tais como “A Cavalgada das Valquírias” – Apocalypse Now, “A Força do Destino” – Uma Abelha na Chuva, entre outras, encerrando com o grande tema da banda sonora da Guerra das Estrelas.

Enquanto o palco 25 de Abril estava em perfeita sinfonia, o palco 1º de Maio também contou com a presença de vários artistas – o Grupo Artístico da Mongólia, Jon Luz e por último Tabanka Djaz e Dany Silva. Já no Avanteatro, pudemos ver uma actuação do grupo do Teatr’O Bando, de Palmela, com a peça “Em Nome da Terra”.

A noite de abertura terminava assim, com o frio a querer instalar-se, mas nada que não se resolvesse com um agasalho. Quem esteve presente na edição anterior deve ter pedido por tudo um Avante menos chuvoso, por isso não nos podíamos queixar.

 

Sábado, dia 5

Se neste dia para Paus houve receio de ter pouco público por ser a primeira banda a acuar nesta tarde de Sábado, engane-se. Eram 15h quando se ouviram os primeiros acordes e, apesar de ser cedo e do público ainda estar a recuperar da noite anterior, a banda lisboeta contou com um recinto cheio, e melhor ainda, carregado de energia nesta quente tarde de sol. Além do seu cenário invulgar com chapéus-de-sol, deram-nos a oportunidade de ouvir alguns dos seus melhores temas, como “Corta Vazas”, “Muito Mais Gente”, “Pelo Pulso”, “Bandeira Branca” e ainda “Deixa-me Ser”. Logo de seguida os britânicos Bubblegum Screw subiram ao palco com a sua energia inigualável e trouxeram-nos uma grande dose de boa disposição e temas dançáveis como “I Wanna Fuck You So Much It Hurts”, tema que nos ficou gravado na memória tal como o invulgar figurino do vocalista e a sua extravagância em palco.

No Palco 1º de Maio tocava Tribute to Pete Seeger, mas as nossas atenções permaneceram no palco principal. Com Viralata é impossível ficar-se indiferente às suas letras e ritmo. Além de dançar, foram várias as pessoas que acompanharam em uníssono nos temas “E Vai Um Copo”, “Não Há Tachos” e, para terminar, a rainha do soutien “Ivone”. Como sábado era um “Dia D”, os HMB não podiam dar início a este concerto de melhor forma. O frio já se aproximava, mas eles não deixaram ninguém arrefecer com a sua música.

Mais tarde, pouco depois das 21h, o palco 1º de Maio já estava à pinha, com Mimicat a seduzir o seu público com o seu soul. “Tell My Why” não foi o único tema da noite, mas foi sem dúvida um dos mais esperados.

Voltando ao palco 25 de Abril, ouvíamos um estilo impossível de não reconhecer no Avante. Vieram com muita cor e muito ritmo, numa mistura de reggae, rumba e ska e para por todos a dançar, os Txarango foram imprescindíveis neste dia. Algumas músicas do álbum Som Riu foram as mais contagiantes, como “Esperança”, “La Vuelta Al Mundo” e “Músic de Carrer”. Para continuar com a boa disposição e num estilo um pouco mais alternativo, subiu a palco a Banda Bassotti com temas de revolução como “Revolution Rock” e “Carabinda 30 – 30”.

Para terminar em grande esta noite de sábado, estiveram os Expensive Soul, que já não são novidade na Quinta da Atalaia, mas não deixam de ser das bandas mais aplaudidas deste festival. Foram vários os temas conhecidos que nos encheram os ouvidos, neste concerto de mais de uma hora, mas foram os temas finais o momento alto da noite, quando se fizeram acompanhar dos Tocá Rufar e pelos Mineiros de Aljustrel nos temas “O Amor é Mágico” e “Eu Não Sei”. Claro que não podia acabar a noite sem o hino da Festa, a “Carvalhesa”.

 

Domingo, dia 6

Chegamos a festa perto das 16h e no palco 25 de Abril os Dealema já tocavam o seu primeiro tema, enquanto que, no palco 1º de Maio, Sebastião Antunes e Quadrilha tocavam os seus últimos, acabando com “Cantiga da Burra”, um tema bastante cómico e divertido que deixou um rasto de pó depois de uns minutos de folia. Entrando na onda do blues e com um pouco de rock, recebemos Serushiô, que criaram uma boa atmosfera e bastantes sorrisos. “Boogie Song” foi um dos temas mais interessantes.

Os Cais Sodré Funk Connection também voltaram ao Avante e foram novamente surpreendentes, pois trouxeram com eles um soul e funk fantásticos e tão característicos dos anos 60 e 70, moldados à sua medida. “Are You Somebody”, “Just Having a Party” e “Summers Day of Sun” foram alguns dos temas que se fizeram sobressair. Após nos deixarem cheios de energia e a querer mais, chegou a hora do Comício que teve como abertura o Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa.

Depois do Comício recomeçaram os concertos com Linda Martini, também já eles repetentes desta festa. Depois de Turbo Lento, estes jovens mostram-se agora mais maduros, com um registo um pouco mais melancólico e parado, ainda assim a fazer levantar poeira nas filas da frente. Trouxeram com eles os pulmões cheios de ar para nos oferecer um concerto memorável com os seus grandes temas “Dá-me a Tua Melhor Faca”, Amor Combate”, “Belarmino vs “ e “Ratos”, apresentando também o novo tema “Dez Tostões”. A finalizar, a habitual “Cem Metros Sereia” deixou o público a entoar apenas uma frase.

Não podíamos deixar de dar um saltinho ao palco 1º de Maio e espreitar os Dead Combo, que nos deixaram encantados com o seu cenário assombroso e trouxeram a este palco os acordes de “A Menina Dança?”, “Lisboa Mulata” e “Povo Que Cais Descalço”, entre outros. Subindo novamente a rampa, já tocavam os The Last Internationale, uma banda em que os temas sobre racismo e capitalismo são abordados e, por isso, os tornaram tão importantes numa festa como esta. Uma actuação fantástica e que certamente vai ficar na memória de muitos. “Wanted Mam”, “Life, Liberty, and The Pursuit of Indian Blood” e “We Will Reign” foram provavelmente os temas que mais marcaram neste dia.

Infelizmente chegamos a última actuação desta grande noite e deste grande festival. Todos esperavam Xutos & Pontapés, mas ninguém queria que acabasse. São provavelmente a banda que já passou mais vezes pela Festa do Avante!, e este ano não foi excepção. Nunca deixam ninguém ficar mal e é raro o público que não os acompanha nos seus singles intemporais – “Contentores”, “Não sou o único”, “Homem do Leme”, “Há 10 000 Anos Atrás” e “Ai Se Ele Cai”, desde os mais antigos aos mais recentes, chega a ser complicado enumerar os melhores temas, visto que todas ficam no ouvido e todas são entoadas pelo público, dos 8 aos 80.

Para finalizar, ofereceram ao público fantástico que acompanhou esta festa mais uma “Carvalhesa” com o já habitual espectáculo de fogo-de-artificio e, como não podia deixar de ser, todos dançaram e saltaram nesta despedida. Foi assim mais um ano, entusiasmante como sempre e com tudo de bom que esta festa tem para nos oferecer. Para o ano celebra-se a 40º edição, e já sabem, Festa do Avante! – não há (mesmo) uma Festa como esta!

Fotografia: Rute Pascoal
Texto: Inês Ariana

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