Morning WorldFoi em pleno verão de 2010, há cinco anos atrás, que Teen Daze lançou “Four More Years“. Os seus sintetizadores despreocupados com o calor da areia e melódicos horizontes tingindos a filtros vintage juntam-se, sem grande destaque, à época alta do chillwave. Marcado por artistas como Toro y Moi, Sun Glitters ou Brothertiger, à ascensão do polémico género rapidamente se sucedeu a queda. Ainda assim, os seguintes lançamentos de Teen Daze mantinham a chama acesa: ora pintada com os ritmos baleares de “All of Us, Together“, ou espalhada pelo menos entusiástico “The Inner Mansions“. “Glacier” é como um ponto de viragem: o eterno verão é suavemente tingido de branco e os ritmos cedem o lugar a brilhantes melodias ambiente. Já no início de 2015, “A World Away” faz exactamente o oposto, com as suas raízes bem plantadas no EDM.

Seria no entanto de estranhar que, com “Morning World“, Teen Daze nos trouxesse algo mais que os seus efervescentes, por vezes algo genéricos sintetizadores. Logo nos primeiros segundos da primeira faixa começa a ser bem claro que é exactamente isso que se passa: o violino oscila em ‘Valley of Gardens’, acompanhado de guitarra eléctrica e da voz do próprio Jamison, único nome próprio do outrora único integrante. Em ‘Pink’ a distorção da guitarra contrasta com a suave voz do artista, rompendo por completo com o seu passado de electrónica bedroom. A primeira metade do álbum não deixa o momento morrer: ‘Morning World’ e ‘Life in the Sea’ soam a uma união das explorações ambiente com a guitarra relaxada de Real Estate. ‘Post Storm’ é possivelmente a faixa mais emotiva do álbum: de ritmo lento e demarcado, a melodia é cuidadosa e progressivamente curada até que violinos embalam a suave voz de Jamison nas simples, eficazes últimas linhas: «Where does life go when it’s done? A moon replaces morning’s sun, over me». Simples e eficaz seria precisamente o modo mais correcto de descrever a escrita em “Morning World“.

Não estão em causa conceitos intrinsecamente complexos ou difíceis de digerir; a temática de um tempo limitado num belo e sonhador mundo transcendente, em total ausência de dor, é bem patente por todo o álbum e descrita inclusive nas linhas biográficas que acompanham a sua página no Bandcamp. É no contexto do ambiente que permeia “Morning World” e na quase sonhadora voz acompanhante que as letras melhor brilham, mais sentidas que ouvidas. Infelizmente, é na segunda metade do álbum que a fórmula vencedora começa a ceder. A essência sonhadora e as melodias descomplicadas mantêm-se, mas as músicas são menos poderosas, menos interessantes. Apesar de agradáveis de ouvir, ‘You Said’ pouco se destaca, e ‘Infinity’ cola-se demasiado a outro qualquer genérico indie rock. ‘Along’ é possivelmente a mais interessante do conjunto, apesar de soar perigosamente a uma cover da épica ‘Echoes’.

Muitas vezes, como em tantos exemplos se tem visto recentemente, uma mudança estilística por parte de um artista que apreciamos pode ser chocante. No caso de Teen Daze, a mudança verificada ao longo dos últimos cinco anos trouxe-o ao contexto certo para romper por completo o paradigma; para trás deixou os símbolos do seu passado assente num género congelado desde então, e nos acordes de ‘Morning World’ destilam-se especialmente os pontos fortes que o artista apresentou desde os seus trabalhos iniciais: a descomplicação melódica de sabor a catchy e descontraído pop, e, importado directamente dos tempos em que reconstruía a nostalgia de Verões que nunca viveu, o modo como o seu som flui suavemente, transformando-se na multitude de imagens que Jamison pretende representar. Tais talentos, no entanto, estão longe de ser únicos, e apesar da lufada de ar fresco que é “Morning World“, espero que trabalhos futuros poderão espremer ainda mais o som único que o jovem Teen Daze guarda.

Autor: João Rosa

Foi em pleno verão de 2010, há cinco anos atrás, que Teen Daze lançou "Four More Years". Os seus sintetizadores despreocupados com o calor da areia e melódicos horizontes tingindos a filtros vintage juntam-se, sem grande destaque, à época alta do chillwave. Marcado por artistas como Toro y Moi, Sun Glitters ou Brothertiger, à ascensão do polémico género rapidamente se sucedeu a queda. Ainda assim, os seguintes lançamentos de Teen Daze mantinham a chama acesa: ora pintada com os ritmos baleares de "All of Us, Together", ou espalhada pelo menos entusiástico "The Inner Mansions". "Glacier" é como um ponto de…
Apesar da lufada de ar fresco que é "Morning World", espera-se que trabalhos futuros poderão espremer ainda mais o som único que o jovem Teen Daze guarda.

Álbum. Paper Bags Records. 14 Agosto 2015

Classificação/Rating

8.6

Apesar da lufada de ar fresco que é "Morning World", espera-se que trabalhos futuros poderão espremer ainda mais o som único que o jovem Teen Daze guarda.

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