Numa serena noite de Verão, no primeiro Sábado do mês de Julho de 2015, os bracarenses Ermo desceram à cidade do Lis, onde apresentaram o seu mais recente trabalho, o EP Amor Vezes Quatro. Marcado pelo início tardio, pouca afluência e curta duração, fica na memória ainda assim um momento de singular deleite sonoro; uma espécie de rapidinha electrónica, temperada com uma picante língua de Camões cheia de complexos descomplexos.

Passavam dez minutos das duas da manhã quando se ouviram sons primatas numa selva de negra electrónica, a introdução que desenrolou na versão alternativa de Correspondência. De tema com direito a vídeo para outro, o ambiente erotizou-se com Fado Teu, para logo de seguida levarmos uma chapada com a luva da realidade nacional em Porquê. Após uma passagem perfeita desta para SQN, mais dançável, houve tempo a seguir para uma amostra do novo álbum, com Amélia.

Ao longo de todo o concerto, António Costa deambulou de forma cambaleante pelo palco, numa dança de bizarros movimentos de pernas, como que embriagadas pela própria música. Desta forma, viajámos juntos até Macau, e mais juntos ainda até ao mais íntimo dos nossos momentos em Súcubo. Satisfeitos dos prazeres carnais, demos um salto até ao Recreio, onde os prazeres eram mais divinos, mas infinitamente mais sujos.

A recta final fez-se com a brilhante Pangloss, gritada de forma gutural ao som de uma atmosfera hipnotizante e sombria; a fechar, o tema título do EP que levou os Ermo até Leiria, Amor Vezes Quatro. Com 45 minutos decorridos, e a cinco minutos das três da manhã, exigia-se um encore. Reza a lenda que ainda hoje o público está à espera dele, sem ver o sol… Talvez chegue na próxima visita do mais irreverente duo nacional a Leiria.

Fotografia: Marina Silva
Texto: David Matos

Setlist

Leave a Reply

Your email address will not be published.