A primeira Wav Session aparece em sequência das anteriores Cosmic Mess, também promovidas pela magazine online. Na primeira edição, «virada para as sonoridades mais tropicais», a Wav ofertou-nos as prestações dos Gala Drop, um projecto lisboeta que gosta de combinar a energia rock com um relaxamento dançante, e dos Toulouse, um pequeno quarteto vimaranense. O interesse desta sessão ofusca ainda mais quando comparado com o interesse da mancha humana – 70 000 pessoas, aproximadamente – que encheu a vizinha avenida dos Aliados, em prol dos D.A.M.A.. Qual quer que seja o enquadramento e razões, as opções estão feitas.

Os Toulouse, banda que iniciou as festividades, portavam uma sonoridade que a Antena 3, Vodafone FM ou afim passaria se quisesse apelar ao público em geral – simpática e light, ideal para preencher tempos mortos. Apesar de se auto-intitularem como membros do indie surf, o que se ouviu no palco do Maus Hábitos foi um indie rock polidinho e genérico, longe da cuidada “Paloma” do seu mais recente registo, “Juice“. Com os seus riffs de guitarra batidos a tomar o pelouro das canções, uma voz a tresandar a eco e um som eficiente mas desinteressante, estes rapazes não fizeram mais do que maximizar o apetite para o arraial que os seguia. E, neste aspecto, merecem congratulações pelo trabalho bem feito.

Os Gala Drop vivem de um groove viajado. Em cima deste transportam-se cinco músicos, maduros e sabidões, rumo às suas demandas musicais. O bolo-montanha que decora a capa de “II“, o mais recente álbum, com uma prosaica paisagem dos Andes, é constituído por teclados e efeitos envolventes que convivem com uma secção rítmica de baile. A cereja, essa, compõe-se com a dupla de congas e pronúncia caribenha do vocalista Jerrald “Jerry the Cat” James.

Estes lisboetas (e americano) são experientes na fusão do post-punk inglês – e outras formas rock ritmicamente assertivas – com materiais novos, frescos, oriundos um pouco de todo o mundo. Paralelamente a este mecanismo, seguem também a corrente incorporada pelos Paus (sucintamente, através do «estamos juntos») de música como evento social: desenvolvem as suas peças em romarias instrumentais de vários minutos, enquanto o público se abana, comprometido e deleitado. Foi assim com “You and I”, com “Sun Gun” («numa praia tropical, estendida numa cama de sintetizadores»), com a carioca “Samba da Maconha”, todas a transportar o tribalismo refinado do projecto e com uma palete de sabores sonoros muito apetecível.

Ao longo de um concerto de quase hora e meia (contando com o encore), esta tese foi-se consolidando. No final, não restam dúvidas: os Gala Drop são das chanfanas, das sopas de ritmo mais gostosas da música portuguesa actual.

Texto: Gonçalo Tavares
Fotografia: Joana Coelho

 

Leave a Reply

Your email address will not be published.