Facebook

Twitter

Subscreve

Subscreve o nosso RSS Feed

Santa Maria Summer Fest @ Beja, 12 a 14/6/2015

Que o SMSF já é paragem obrigatória em meados de Junho não é novidade. A crescer desde 2010 (mas especialmente desde que se internacionalizou em 2013), o festival alentejano tem vindo a oferecer cartazes cada vez mais interessantes em matéria de peso mas sobretudo no que concerne a estilos e bandas que poucas ou nenhumas vezes são encaixados num ambiente festivaleiro ligado ao Metal. Assim, o conforto da urbanidade que o festival oferece e o ecleticismo reforçam uma proposta que já está no topo do que melhor se faz em Portugal em matéria de festivais. A sexta edição não foi excepção…

DSC_0055_BIO (1 of 1)

Dia 1

Se necessário fosse confirmar a heterogeneidade do cartaz uma entrada com Cangarra cumpriria a missão na perfeição. Quando ainda só quem tinha bom gosto estava no interior do recinto (pouca gente, portanto…) o duo tornou a actuação numa longa jam que foi passando por momentos bem diferentes, ora desérticos ora dançáveis. Começo ideal.

Se Cangarra é sempre diferente, Terror Empire é sempre igual. Não a eles próprios. A todas as bandas de Thrash moderno que cospem caralhadas para o ar. Pareceu bem mais que meia hora mas logo a seguir veio Jibóia. Os ritmos viciantes e as batidas lo-fi tomaram conta do ar para numa intrusão do psicadelismo electrónico ao festival de Beja. A invasão dos corpos estranhos tinha sucesso uma vez mais.

De volta a terrenos mais normais, os espanhóis Teething distribuíram pancadaria no palco principal. Grindcore e Powerviolence servidos bem alto para marcar definitivamente a passagem para coisas mais pesadas. A actuação que se seguiu, embora uns bons bpm’s abaixo dos espanhóis, acabou por confirmar a tendência. Os Vaee Solis (com o habitual convidado Pedro Roque) deram (mais) um concerto intenso. “Adversarial Light” tem rodado consideravelmente pelos palcos e a coesão vai aumentando. Sludge como manda a lei para abrir a noite.

Os franceses Chiens serviram mais um prato de Grind/Powerviolence com um nível acima de destruição. A homenagem de “Seth Putnam was a sensitive man” serve bem para ilustrar a atitude descomplexada dos rapazes de Nancy. Pedrada da boa.

Infra foi o que se seguiu. Com um adereço à lá Watain e um guitarrista com um confortável calçado de estilo “new age”, o que se seguiu foi bem mais sério. A mistura de Black e Death foi perfeitamente demolidora e a dimensão do Palco 2 foi ideal para um concerto que teve tanto de violento como de ritualístico. Um dos grandes momentos do festival.

Aliás, a brigada que tinha o Black Metal como ponto de partida (mas não de chegada…) acabou por ter o grande destaque do primeiro dia. Vejam-se os italianos Sedna. Enquanto banda que ouviu obviamente o que de melhor se fez em termos de Black Metal atmosférico do outro lado do oceano – WITTR é incontornável – mas não só. O pendor melancólico, quase depressivo, foi contrastando com uma agressividade dissonante surpreendente madura. Claro que ajuda muito quando o baterista é um perfeito animal como é o caso de Mattia Zoffoli. Os riffs de “Sons Of The Ocean” são provavelmente a grande memória que se traz do SMSF deste ano e isso diz quase tudo o que é preciso saber desta gente.

A armada italiana marcou e de que maneira o festival. Abaton seguiram-se com uma abordagem bem diferente ao BM mas com o mesmo selo de qualidade. Como os compatriotas, também se notam bem influências externas fazendo lembrar Celeste com uma maior apetência para o mid-tempo. Ainda assim havia interesse de sobra e o concerto foi uma intensa descarga de riffs maliciosos com um vocalista em grande forma.

Podia ter sido só isto mas ainda havia que contar com Despise You. Figuras incontornáveis do Powerviolence e liderados pelo esquivo Chris Elder foram provavelmente o nome mais forte do primeiro dia. Mostraram quem manda desde muito cedo e a actuação foi especialmente bem conseguida no regresso ao clássico 7’’ EP homónimo de 1996. Se a voz de Cynthia Nishi é sempre um desafio à paciência, tudo o resto estava no sítio e os créditos não ficaram por mãos alheias.

Depois do que importava ainda houve Analepsy, mas a coisa piorou com mais uma patetice de uma fábrica de diarreia mental que parece não querer acabar…

SMSF

Dia 2

O calor alentejano convidava a ficar bem refugiado mas com a programação da tarde foi algo impossível ficar a aproveitar a bela paisagem que rodeia Beja. Para começar, Mordaça a representar LVHC a que se seguiram Coat Of Arms, que tirando o facto de serem dos Emirados Árabes Unidos, nada têm de original no Metalcore que fazem. A jogar em casa o Grind dos Shoryuken animou as hostes até Inquisitor, que fizeram uma visita ao que bom se fez em termos de Heavy/Speed nos anos 80.

Aos Marvel Lima coube a importante missão de interromper a dose metálica e o resultado não podia ser melhor. Stoner de contornos psicadélicos que abafaram ainda mais a tarde e que apesar da resistência inicial (não estar inscrito na Associação Portuguesa de Metaleiros pode ter destas coisas…) foram contagiando quem começava a chegar. Ou se calhar nem tanto, mas pouco importa porque foi um belo concerto.

A desaceleração foi (sobre) compensada pelos Revolution Within. Entre caralhadas e apelos à irmandade lá cambalearam os minutos. Foi de tal forma “bom” que até deu vontade de ver Paulo Colaço, que era tão chato como parecia. Era. Ainda assim saúde-se a vontade de diversificar: nem sempre sai bem, mas sempre é melhor do que ter um festival que bem podia ser um set de dias de Revolution Within…

Uma das boas atracções do cartaz era sem dúvida a presença dos italianos Children Of Technology. Metalpunk a fumegar com “Future Decay” do ano passado a fazer a maioria das honras. Os três quartos de hora foram mais que suficientes para perceber que há trabalho de casa e se calhar até demais. Para algo que se quer podre há uma tendência para o limpinho que rouba alguma pujança aos italianos.

Mais um cancelamento de Mother Abyss foi o pretexto para que Alchemist mostrasse que o Black n’ Roll não tem que ser acéfalo. Há claramente falta de material a ser atirado cá para fora, mas com actuações ao vivo tão conseguidas não há como não perdoar.

A instituição Varukers foi chamada quando a noite já tinha tomado conta de Beja e a lição de d-beat, Hardcore e atitude que foi distribuída pauta-se como um dos grandes momentos que o SMSF já viveu em todos estes anos. 50 minutos de pura história e pouco mais há a dizer. São das poucas bandas inseridas na vaga UK82 que ainda vale a pena ver.

Também se Inglaterra mas com algo completamente diferente eis Necro Deathmort. Durante quase 50 minutos o tempo parou em Beja porque a dupla AJ Cookson e Matthew Rozeik provaram que são um dos mais interessantes projectos dos últimos anos. Transcendendo as barreiras do Dub ou do Doom, os londrinos trilham um caminho bem próprio e que já valeu verdadeiras pérolas como “Music Of Bleak Origin” ou “The Colonial Script“. A repetição de beats espaciais e riffs com toneladas de peso foram uma constante num momento verdadeiramente memorável. O brilhantismo de Temple Of Juno ainda ecoa nas paredes da Casa da Cultura e só se pode concluir que a experiência meteu no bolso a “experiência” anterior. Em todos os aspectos, épico.

Seria difícil tocar a seguir ao melhor concerto do festival fosse para quem fosse. Para os Albez Duz foi um martírio. Ou para quem teve que levar com eles visto que o estado de embriaguez dos alemães lhes deve toldar boa parte da memória do que foi uma hora com muito pouco de positivo.

Os bracarenses Vai-te Foder ofereceram algo bem diferente. Além do prémio humorístico («que é que tu queres mouro do caralho?!» foi só uma das preciosidades atiradas ao público), o degredo foi total instalando o maior caos que se viveu durante os três dias. Com “Bófia de Merda” ou “Vai-te Foder” a invasão de palco foi inevitável. Uma banda que dedica um tema «àquela recta de 50 km» só podia ser perfeita para acabar a noite de concertos.

DSC_0122_BIO (1 of 1)

Dia 3

No Domingo a inusitada chuva acabou por marcar negativamente o último dia de festival embora tenha dado tréguas à noite. No entanto, ainda houve muita coisa boa.

A Mendigo Blues coube a ingrata tarefa de começar o último dia. O blues melancólico desta “one man band” foi demasiado suave mas mais uma prova do ecleticismo que cada vez mais marca do SMSF.

Continuando na senda dos prémios, os sevilhanos Vikingore levam o de nome mais pateta do cartaz. E se fosse só isto já não era mau visto que os espanhóis espalharam banalidade e clichés durante todo o concerto. A evitar. Os alemães Blood Atonement não se escapam da mesma falta de pontos de interesse, mas a actuação foi bem mais interessante.

Foi preciso chegar à brigada hipster para o derradeiro dia ter o seu primeiro momento a sério. Equations podia ser um nome algo estranho ao público do SMSFmas a verdade é que o Kraut psicadélico dos portuenses há muito que tem chamado à atenção noutras “paragens”. Foi pouco mais de meia hora mas confirma-se que são das bandas que mais gozo dá ver ao vivo e que “Hightower é um dos discos do ano.

A chuva pode ter provocado uma corrida pela protecção das bancas de merchandise e estragado uma parte do som, visto que as colunas tiveram que ser cobertas para evitar a água. Isto não incomodou Killimanjaro. O rock fez-se ainda que o público estivesse à distância e provou que são cada vez mais uma certeza da grande fábrica de Barcelos.

A chuva lá acalmou e isso permitiu ver Theriomorphic em boas condições. A banda de Lisboa está pejada de bons músicos e ainda por cima dedicaram boa parte do set a “Enter The Mighty Theriomorphic“, o primeiro e melhor trabalho. Ao contrário de montes de bandas do género, há um feeling old school com tendências melódicas que não soa forçado ou batido e isso resultou num belo concerto.

Continuando na capital, o nome do Black Metal português mais consagrado: Corpus Christii. Suportados por “PaleMoon“, álbum lançado já este ano, e com a formação reduzida a uma guitarra, há sem dúvida um sentimento de retorno primordial face a “Luciferian Frequencies” e “Rising“, os dois trabalhos mais “avant-garde” do projecto de NH. Boa parte do set foi dedicado ao último trabalho, mas os clássicos “Crimson Hour” e “All Hail” acabaram por arrebatar uma das melhores actuações de todo o festival.

Warhammer prometia ser a continuação do castigo mas o set reduzido e chama intermitente fizeram com que a actuação dos cabeças-de-cartaz do último dia quebrasse aquilo que foi um excelente fim de tarde e início de noite, que foi compensada com uma escolha surpreendente e que resultou na perfeição para encerrar as hostilidades: Satanize. Se a carreira da banda parece agora numa fase menos prolífica do que num passado recente, a verdade é que este foi o melhor concerto em muito tempo. Há muito mais coesão e o já não tão novo vocalista esteve uns furos acima do que em situações anteriores. O castigo de Black Metal violento foi simultaneamente hipnótico e demolidor. A provar que também há War Metal de qualidade em Portugal e que nem sempre as escolhas seguras (como por exemplo, uma qualquer banda parva de Grind…) têm o monopólio dos encerramentos.

E para o ano já está confirmado Rotting Christ… mas também se podem esperar coisas boas.

Texto: Filipe Adão
Fotografias cedidas por: Deep Spirit Photography – BIO

Etiquetas:

Artigos Relacionados

  • Joao Costa

    Até que tinha esta página em boa conta, depois da perda de tempo a ler isto..é só mais uma pseudo-humoristica.

  • Paulo Soares

    Realmente é lamentavel alguns comentarios que fez acerca de algumas bandas. La porque não gosta (e está no seu direito de não gostar), fica-lhe mal dizer certas coisas. Uma reportagem nao deveria ser assim, falar bem do que gosta, e mal do que nao gosta. Tudo pode ter pontos positivos, e pontos negativos. Deveria focar-se mais nisso, e nao deixar transparecer tanto, o que lhe interessa ou não. Quem vai ler a reportagem nao quer saber dos gostos pessoais de quem fez a reportagem. E esta reportagem demonstra muito pouco profissionalismo por parte de quem a fez.

  • Renata Lino

    Isto não foi erradamente publicado na categoria “reportagens”? É que ia jurar que isto é uma “opinião”. E não confundam “liberdade de expressão” com “ofensa gratuita”.

  • Macaco Chinês

    Filipe Adão… o gajo dos Saraband, uma banda que nunca saiu da garagem. Um frustrado e hater de primeira categoria, o gajo que não mostra a cara nas redes sociais talvez com medo de apanhar um calduço em algum mosh. Que pena. Meu caro, aprende a escrever reports porque aquilo que tu escreves são meras opiniões de lixo mas já te deves ter habituado ao cheiro dele porque continuas um merdas. Só espero que a Ruído Sonoro não tenha pago por isto.