Dark Red” (True Panther/Wedidit, Abril de 2015) não é um álbum fácil para quem tem seguido os passos de Henry Laufer (a.k.a Shlohmo), e o conhece desde as primeiras produções inexperientes no universo do hip-hop «abstracto». É denso, sombrio, ruidoso, e até inquietante – e era precisamente isso que se pretendia (dizia-o à Billboard no mês passado). Um corte com harmonia downtempo da primeira metade do anterior e aclamado “Bad Vibes” (2013), e um amadurecimento do ponto de viragem obscuro da segunda metade: “Trapped In A Burning House”, aquele pedaço de som ruidoso e desconcertante, de guitarras dissonantes que apetece quase sempre passar à frente, bem que poderia encaixar impecavelmente neste último LP.

Na passada noite de quarta-feira, fez-se acompanhar pela sua banda – D33J nas teclas, também produtor e integrante no colectivo Wedidit e um baterista, e apresentou quase na íntegra o novo lançamento.

“Ten Days of Falling”, a abrir, relembra precisamente essa avalanche de som esparsa, ruidosa, aqui impelida pelos guinchos agudos iniciais dos sintetizadores, abafados a meio da faixa e seguidos de uma batida consistente até ao final. Fiel ao alinhamento do LP, segue-se “Meet Ur Maker”, algo mais familiar ao som clássico de Shlohmo, combina na perfeição influências do drum&bass nas linhas de percussão, basslines vincadas, revelando o contraste entre melodias lentas e aceleração frenética – “Ditch” e “Emerge from Smoke”, a ressoar a um pós-dubstep geométrico, seguem semelhante linha; “Slow Descent” (a reclamar largos aplausos) prossegue com o crescendo de intensidade da bateria, abrandando algures pelo final, voltando-se ao ponto de partida, uma melodia sintética harmoniosa e calma.

“Buried”, o single do álbum ressoa pelo lado mais metalino de «Dark Red», qual drone atmosférico, combinando um ritmo percussivo de clássico metálico, linha de baixo serpenteante e múltiplas texturas de sons distorcidos. Já na recta para o final, ainda foi possível relembrar um clássico do EP “Laid Out” (2013) – “Later”, a jogar pelos tempos do R&B – antes de ficarmos com “Beams”, mais um hino drum&bass tumultuoso, a fechar.

Fotografia e Texto: Telma Correia

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