Jacco Gardner, enamorado revivalista do psicadelismo dos 60’s/70’s (contem-se influências como Syd Barrett, Brian Wilson ou Donovan), dá-se por um explorador da psique humana, do limbo entre os estados de consciência, a realidade e o sonho – dizia à Glide Magazine sobre o seu recentíssimo trabalho, “Hypnophobia”, lançado em Maio deste ano, o sucessor de “Cabinet of Curiosities” (2013).

Na passada noite de Sábado, banda completa a acompanhar, o jovem holandês regressa à sala que já o havia acolhido, há um ano atrás, em Fevereiro, desta vez mais quente e mais repleta para escutar os seus últimos trabalhos.

Hypnophobia” é um disco carregado de algo místico e sonhador, sem, no entanto, cair totalmente numa espiral caótica e negra de som que poderia remeter para os estados de semiconsciência – é um disco que reflecte alguma ansiedade e, ao mesmo tempo, resplandecente, etéreo e eléctrico, e melodicamente rico. “Another You”, na recta inicial, abre num tom meio fantasmagórico, prosseguindo através dos teclados assombrosos e das texturas de voz etéreas a que já nos habituamos, sem perder o groove pop apoiado na linha de baixo e na bateria. “Face to Face” caminha para um universo clássico do folk, enquanto “Find Yourself” caminha pela linha do psicadelismo sincronizado nas vozes e guitarra entrelaçadas, bebendo do pop barroco também presente ao longo do alinhamento.

Houve também direito a outros temas que já há bem mais tempo conhecemos, a maior parte lançada de “Cabinet of Curiosities” – “Clear the Air”, logo a abrir, “Puppets Dangling”, “The Ballad of Little Jane”, “How to Live Again” já oriunda de 2010 e de um dos primeiros projectos de Gardner –  The Skywalkers, ou “Lullaby” já na recta final. Mas a festa não acabou ali – Jacco Gardner continuou a aquecer a noite com um djset numa outra sala nas proximidades.

Fotografia e Texto: Telma Correia

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