Os The Underground Youth marcaram presença no Hard Club, no Porto, no passado dia quinze. Apresentando-se em formato quinteto, os britânicos foram iguais a si mesmos ao reproduzir o seu rock embebido em psicadelia perante uma casa bem composta. Não existem grandes variáveis na música de Craig Dyer e companhia, verdade seja dita, tendo a fórmula sido repetida vezes e vezes sem conta ao longo do alinhamento: um turbilhão de guitarra desfigurada a dançar em reverb, uma linha de baixo sempre colada à percussão e presente o suficiente para ser notada e ritmos simples (estes roçando o maçador) sacados de pé duma tarola, bumbo  e pandeireta. O maçador de uns é o transe de outros e em parte consegue-se perfeitamente perceber porquê, ficando a interpretação ao vivo de “Morning Sun” com aquele refrão versado a «Well your heart it feels / Like a loaded gun / Lets run honey run into the morning sun» e cercado por uma cativante pista de guitarra, para momento mais bem conseguido da noite.

Antes tivemos ainda os concertos de Desperate Journalist (concerto ao qual assistimos praticamente na íntegra do lado de fora da sala tal a tolerabilidade, mas imaginem uma má banda de covers de The Smiths liderada pela Hayley Williams e ficam com uma ideia) e do trio português 10 000 Russos, ficando efectivamente para estes o cargo de tirar a virgindade ao PA da Sala 2 naquela sexta-feira. Em relação a esta segunda rapaziada: fica muito fácil perder-se na música que fazem. Os três elementos parecem amplificados e depois colados por uma qualquer gelatina palpável de fuzz quasi-celestial, ficando o expoente máximo da actuação guardado para o momento em que deixaram que se abrissem em pleno as goelas dos seus instrumentos e forraram a noite com uma parede de noise estridente. A rever.

Texto: Rui P. Andrade
Fotografia: Mariana Vasconcelos (WAV Magazine)

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