O regresso dos nova-iorquinos Oneida foi aguardado com expectativa após a aparição bombástica no OUT.FEST de 2011. Esse momento parcialmente partilhado com o prolífico Stephen O’Malley aumentava ainda mais a expectativa em torno deste reencontro.

A primeira parte estava ficou acabo de People Of The North, projecto onde a criação é partilhada por Bobby Matador e claro, Kid Millions, também eles membros de Oneida. Foi através da improvisação que constitui o ponto central de convergência das duas mentes que se passaram os três primeiros quartos de hora da noite. Muito drone é certo mas também explosões rítmicas que bebem muito à linguagem free jazz e uma intensidade crescente bem à lá Oneida que abriram caminho para o prato principal.

Se é verdade que em estúdio os inúmeros projectos de todos os membros vão impedindo que a carreira da banda de Brooklyn continue a um ritmo que já teve no passado, ao vivo ainda é a velocidade que melhor define Oneida. A proposta é no seu âmago o mais Rock possível mas a mestria e capacidade criativa do quinteto fazem com que tudo seja característico e único.

Há uma tensão de vertigem tresloucada que acompanha as incursões Krautrock que vão surgindo frequentemente e autênticos murros no estômago quando a banda finalmente explode e se torna num tufão de enormes e psicadélicas dimensões.

Curiosamente a primeira metade do set até teve uma maior predominância de músicas com estruturas relativamente acessíveis (para o universo Oneida, entenda-se) e mostram uma banda que não necessita de recorrer a grandes pretensiosismos formais para espalhar classe. A segunda parte já teve outro nível de complexidade com natural destaque para a forma de Kid Millions, numa dimensão de breaks e fills à parte 99,9% de quem desempenha aquela função.

O final já em pleno encore foi com a inevitável Sheets Of Easter, um verdadeiro hino de psicadelismo minimal cujo efeito poderá facilmente ser outro não fosse uma banda que até nos mais simples pormenores se revela e revelou brilhante.

Texto: Filipe Adão
Fotografia: Luís Martins (ZDB)

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