moonspellextinctDez álbuns de estúdio e mais de 20 anos de carreira marcam uma longa estrada de sucesso, principalmente para uma banda nascida num país muito pouco ligado ao metal. Os Moonspell já há muito que deixaram de ser uma pequena ‘banda de garagem’, principalmente desde que assinaram um contrato mundial, em 2011, com uma das maiores produtoras discográficas do mundo, Napalm Records.

Neste ano, 2015, Extinct surgiu como um dos discos mais esperados dos últimos anos, muito devido ao sucesso do grupo nos últimos anos. Alpha Noir/Omega White, lançado em 2012, trouxe um grupo muito maduro e que lançou nesse ano o álbum mais ambicioso da sua discografia, combinando o seu metal mais obscuro e pesado com a vertente mais gótica e melódica. Ao longo dos anos, os Moonspell especializaram-se no gótico incluindo elementos do género nos seus discos. Extinct, como o seu antecessor, combina ambos elementos de obscuridade e melodia, resultando num disco muito conciso, sólido e ambicioso.

Extinct tem a rara capacidade de ser fácil de memorizar e torna-se viciante logo na primeira audição. Apesar de não ser totalmente conceptual, o disco apresenta uma temática de resignação, obscuridade e descredibilização da raça humana, isto se quisermos escalpelizar o álbum um pouco mais. Uma das grandes surpresas foi a colaboração com uma orquestra turca em algumas das faixas do disco. A utilização dos violinos tornaram o arranjo instrumental muito mais espectacular e complexo, resultando num álbum mais orquestral e melódico, conseguindo combinar a orquestra e os elementos de metal gótico de uma forma muito eficaz. Esta preocupação instrumental revela a vontade do grupo em levar o seu trabalho para ‘o próximo nível’, subindo sempre a fasquia de exigência.

Em termos técnicos, o grupo consegue um excelente resultado global, no entanto não melhor que o disco antecessor. Fernando Ribeiro tem aqui uma das suas melhores performances, denotando a melhoria vocal por que tem passado ao longo dos anos. O trabalho de cordas nas faixas “Breathe (Until We Are No More)”, “Extinct” e “Malignia” surpreende-me e, mais uma vez, a utilização da orquestra coloca este lançamento num patamar totalmente diferente. Os solos de guitarra são, em certos momentos, verdadeiramente doentios e bem rápidos, basta atentar às faixas “Medusalem” e “Domina”. Mike Gaspar confirma a opinião que tenho há algum tempo de que é um dos grandes bateristas europeus, principalmente no que diz respeito ao trabalho de estúdio e composição de bateria.

Um ponto negativo é o conteúdo bónus que está completamente descontextualizado com o restante álbum. Apesar de serem apenas remixes de algumas faixas do disco, com nomes diferentes, dá a sensação de ‘enchimento’ de tempo. No entanto, mostra a vontade do grupo em continuar com a sua evolução musical e demonstra a intenção em explorar outros estilos musicais, como tem feito ao longo da sua discografia.

Em conclusão, a nota atribuída, 84%, pode não parecer a classificação que muitos esperavam mas, sinceramente, em comparação com Alpha Noir/Omega White é inferior, qualitativamente. O potencial de evolução é imenso e espero não ter de esperar três anos pelo próximo lançamento, expectando um excelente próximo disco de estúdio.

Autor: João Braga

moonspellextinctTen studio albums and more than 20 years of career set a long journey of success, mainly to a band born in a country so little attached to metal music. For a long time, Moonspell are no longer a small ‘garage band’, especially since they inked a global contract, in 2011, with one of the major labels in the world, Napalm Records.

In this year, 2015, Extinct became one of the most expected albums of recent years, due to the band’s success in the last few years. Alpha Noir/Omega White, released in 2012, brought a very mature group which released that year the most ambicious album of their discography, combining their most obscure and heaviest music with a more gothic and melodic aspects. Throughout the years, Moonspell specialized in gothic metal incluinding, in their albums, elements of the genre. Extinct, as well as its predecessor, combins both elements of obscurity and melody, resulting in an album quite concise, solid and ambicious.

Extinct has the rare ability to be easy to memorize and turns into an addiction the first one listens the album. Although it is not, totally, a conceptual album, the output presents a theme of resignation, obscurity, disbelief in the human race, if we want to analyse carefully the album. One of the biggest surprises was the collaboration with a turkish orchestra in some of the tracks of the album. The use of the violins made the instrumental arrangement much more spetacular and complex, resulting in an album more orchestral and melodic, combining the orchestra and the gothic metal elements in a very efficient fashion. This instrumental concern reveals the group’s will to take its work to ‘the next level’, raising the bar of demand.

Technically, the group manages to get an excellent global output, although it is not better than its predecessor. Fernando Ribeiro has here one of his best performances, showing the vocal improvement in which he has been through. The string arrangement on the tracks “Breathe (Until We Are No More)”, “Extinct” and “Malignia” surprises me and, once again, the use of the orchestra puts this output in a whole all new level. The guitar solos are, at certain moments, truly sick and fast, just pay attention to the tracks “Medusalem” and “Domina”. Mike Gaspar confirms the opinion that I have that he is one of the greatest european drummers, especially with regard to studio work and drum composition.

A negative aspect is the bonus content that is completely decontextualized with the rest of the album. Although they are only remixes of some of the tracks of the album, under different names, it exists the feeling of time ‘filling’. However, it shows the will of the group in pursuing with its musical evolution and shows the intent in exploring other musical styles, as they have been doing thoughout their discography.

In conclusion, the rating, 84%, may not seem the rating many expected but, honestly, by comparation with its predecessor Extinct is inferior, qualitatively. The potential for evolution is immense and I expect not have to wait three years for the next release, expecting an excellent next studio album.

Author: João Braga

Extinct é poderoso, emocional, ambicioso e muito obscuro. Os Moonspell regressam em excelente forma, solidificando-se como uma das grandes bandas mundiais da actualidade.

Álbum. Napalm Records. 06/03/2015

Classificação

8.4

Extinct é poderoso, emocional, ambicioso e muito obscuro. Os Moonspell regressam em excelente forma, solidificando-se como uma das grandes bandas mundiais da actualidade.

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3 Responses

  1. Rui Gonçalves

    Relativamente ao primeiro paragrafo penso que não é preciso lembrar que antes do Alpha/Omega os Moonspell já eram grandes na Century Media. A Napalm Records deu uma nova vida á banda derivado a muitas divergências negativas no passado. Mas não é isso que está em causa. Os Moonspell continuam iguais a si mesmo sem terem que dar explicações relativamente ás musicas que fazem. No entanto, a minha opinião continua igual desde o primeiro momento que o “Extinct” saiu das minhas colunas. É um disco para os fãs que cresceram e viram os Moonspell crescer desde o “Under The Moonspell” até aos dias de hoje.
    O meu ponto de vista destes 22 anos de carreira claro que houve momentos que desliguei-me de certos lançamentos por serem discos um pouco fora do meu contexto musical, tal como o “The Antidote”, “Memorial” e o “Night Eternal”. Poucas foram as musicas que rebusquei desses discos. Talvez por sempre achar que o termo gothic rock e experimental se encaixava melhor nas suas composições. Já os termos mais death metal talvez fosse a evolução que a banda tinha que sofrer para encontrar novas roupagens dentro da sonoridade tradicional da banda. Mas não foi por estas razões que os deixei de seguir ou deixei de os ver ao vivo.
    E hoje vamos ter a primeira prova de fogo quando os Moonspell pisarem o Coliseu de Lisboa. Vai ser um momento familiar tal como tem sido em todos os concertos especiais (lançamento do disco).

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    • João Carvalho

      Sr. Rui Gonçalves o que eu posso dizer é que você não percebe nada daquilo que escreveu.. Andar a ver informações na wikipédia nem sempre é certo..

      Responder
      • Rui Gonçalves

        Se quiseres andar a lavar roupa suja aqui vamos já partir para a violência 🙂

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