Wolfgang Voigt é um tipo de múltiplas personalidades – seja no cenário orgânico e ambiental sob GAS, o techno geométrico de Wassermann e Studio1 ou as colaborações kraftwerkianas com o irmão Reinhard Voigt. Alguém que não teme em experimentar.

Na passada sexta, apresentou-se enquanto ele mesmo, ao vivo, sem, como esperávamos, esquecer todos os seus alias. Recebe-nos um loop esparso de som, bem a evocar as florestas sombrias de GAS, em crescendo progressivo até a um compasso electrónico quadricular e fabril, encaixado na textura das teclas hipnóticas e aguçadas ao fundo, ao estilo Tubass 1.2. Editado este ano pela Profan (editora do próprio desde 1993), Versammlung 1 – um conjunto de faixas remasterizadas e alternativas da remota sub-label Protest, agora reeditadas, assimila estas variâncias da melhor forma: dos kicks graves e metálicos de Unendlich, ao groove hipnótico das teclas de Empathy, as composições de Voigt primam constantemente por essa mesma dualidade, entre a rigidez e frieza, e ao mesmo tempo, o carácter orgânico do som.

A curadoria e remate final desta noite, um dos grandes rostos das fundações da Kompakt a par dos irmãos Voigt, fico ao cargo de Michael Mayer e do seu techno 4/4, este que, entre muitos papéis, também se reveza entre produtor, DJ e remixer. Consigo trouxe-nos também Ata, a electrónica obscura da alemã Gudrun Gut e o duo encabeçado por Alex Paterson e Thomas Fehlmann em formato live, The Orb, grandes na cena acid house dos anos 80, com as suas sonoridades a desbravar pelo dub e pelo techno ambiente repleto de texturas e detalhes atmosféricos.

Texto: Telma Correia
Fotografia: Lux Frágil

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