Ghost BathComo se de um America’s Next Top Model se tratasse, o nome de Ghost Bath tem sido mencionado em várias publicações como uma resposta da China ao impacto de (e não aos) Deafheaven. Depois de Funeral, álbum de estreia editado em 2014, foi feito um all-in da passa-a-palavra para que se fizesse deste Moonlover o consumar das expectativas e o claro novo Sunbather que tanto se exige às catacumbas do black metal.

Vestido pela fotografia de Luis Gonzalez Palma, este Moonlover é como um indivíduo que comparece e dá nas vistas numa festa para o qual não foi convidado. Ali está ele, bem ao centro, e há duas reacções possíveis: fingir que não o vemos ou tentar percebê-lo. Tem sido assim ao longo dos anos neste género, especialmente reivindicando a incineração religiosa na Noruega nos anos 90, e hoje continua a sê-lo, sempre com alguma charada associada, seja por capas cor-de-rosa ou liturgias. Aos Ghost Bath é lhes desconhecida a autêntica origem e identidade, tomando a posição de um só membro para intensificar a névoa que por eles já paira. «Nameless refers to all and none. The essence of our music is meant to be without connection to any persons.», referem num post no seu Facebook.

Dissecados o hype e o acirrante rótulo, e fazendo-lhes a vontade de descarnar a humanidade, Moonlover é uma proposta inerente ao rompimento, ou à tentativa, das barreiras impostas pelos costumes. “Golden Number”, uma espécie de single de avanço, é a maior das faixas e tenta dissipar o protagonismo às restantes de algum modo. Tem índole de peça centra, mas a chaga exasperante dos seus nove minutos pode tornar-se obsoleta ao fim de algumas audições, à excepção daquele flagrante ao piano a fechar. É isto. Ficamos realmente entusiasmados com que aí vem com tamanha conclusão. “Happyhouse” agrada e “Beneath the Shade Tree” é um interlúdio primordial, mas “The Silver Flower pt. 1”, tal como já havia sido a primeira “The Sleeping Fields”, é irrelevante. Não existe aqui obrigatoriamente um build up de matérias para bradar aos lá de cima, malograda seja esta faixa para antever o que aí vem – os píncaros deste Moonlover acabam mesmo por se dar no seu estágio final.

O método é algo mecanizado, mas o sentimento está presente – as guitarras brilham nos clamores, os contornos acústicos são ásperos e a componente vocal é ainda o melhor de tudo isto. Moonlover, ainda assim, não é iminente. Ghost Bath têm aqui trilho para um resultado futuro mais tangível, corpóreo, tal como Funeral denunciava. Talvez lhes falte a humanidade que repudiam, talvez menos jogos de imitação. Para qualquer dos efeitos, lá estão eles, danados, no centro da festa.

Autor: Nuno Bernardo

Como se de um America's Next Top Model se tratasse, o nome de Ghost Bath tem sido mencionado em várias publicações como uma resposta da China ao impacto de (e não aos) Deafheaven. Depois de Funeral, álbum de estreia editado em 2014, foi feito um all-in da passa-a-palavra para que se fizesse deste Moonlover o consumar das expectativas e o claro novo Sunbather que tanto se exige às catacumbas do black metal. Vestido pela fotografia de Luis Gonzalez Palma, este Moonlover é como um indivíduo que comparece e dá nas vistas numa festa para o qual não foi convidado. Ali está ele, bem ao centro, e…
Ghost Bath têm aqui trilho para um resultado futuro mais tangível, corpóreo, tal como Funeral denunciava. Talvez lhes falte a humanidade que repudiam, talvez menos jogos de imitação.

Álbum. Northern Silence Productions. 10 Abril 2015

Classificação

7.3

Ghost Bath têm aqui trilho para um resultado futuro mais tangível, corpóreo, tal como Funeral denunciava. Talvez lhes falte a humanidade que repudiam, talvez menos jogos de imitação.

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