Sterling Roswell (aka Rosco), para além do cunho primordial de ex-baterista do pilar do psicadelismo que foram os Spacemen 3, define-se por bem mais do que isso – cantautor, multi-instrumentista, produtor, performer e , até, líder espiritual. Provou-o na passada noite de quarta-feira.

«Give Peace Another Chance», do recente The Call of the Cosmos,  do final de 2014 pela Fire Records, abre as cerimónias bastante depois da hora prevista, perante uma pequena audiência ainda meio dispersa. Ode pop/folk, sem descurar do esparso psicadelismo, abre numa voz que podia, quase, ser a de Jason Pierce (ou J. Spaceman, conhecido afiliado de Spiritualized e Spacemen 3). «Venus Honey Dew», sem a voz quase robótica e metálica de Rosco que se pode escutar no LP e com um ritmo e energia bem mais primitivos e orgânicos, «Crystal Clear» e uma «Heart Beat» menos espacial e mais acústica terrena revisitam o passado de The Psychedelic Ubik, de 2013.

Tal como o alinhamento pouco conciso do último registo, também ao vivo este oscila entre o one-man-show acústico, melódico, crescendo até aos sons espaciais embebidos no fuzz da voz ríspida em comunhão com a guitarra. Ao fundo, projecção padrões, texturas e imagens em constante mudança. Charlie Pritchard e Claire Harrison a certo momento sobem ao palco, em auxílio nas percussões – momento alto para «Nobody Loves The Hulk», a multidão já concentrada no palco, longa, ruidosa e imponente, entre a voz altiva que traz Lou Reed à memória, as maracas a ajudar na texturização e uma guitarra desenfreada que lembra uma parelha perfeita e feliz entre Stooges e Velvet Underground e que nos sacode para o final da melhor forma.

Fotografia e Texto: Telma Correia

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