A proposta do W.A.S.T.E. Club é celebrar «a abjurada música da década [de 80] fora dos cânones padronizados». Ok, está percebido, embora este objectivo se tenha aproximado ou afastado conforme os momentos ora de Ghost Hunt (em estreia ao vivo) ora de Cave Story iam passando.

Destacar a excelente composição do Sabotage. Se é verdade que o local já é uma das principais referências naquela zona da noite lisboeta no que respeita a música ao vivo, não deixou de ser uma adesão singular e interessante. Foi, de resto, um ajuntamento já muito considerável que recebeu os estreantes Ghost Hunt (nesta encarnação musical, leia-se). Se as duas primeiras malhas predominantemente dominadas pela electrónica viajante foram uma espécie de aquecimento, a partir daí o nível subiu consideravelmente. Nomeadamente quando a guitarra se juntou ao baixo e à parafernália ruidosa de teclados, pedais e afins. O melhor que se pode dizer é que o pico do concerto foram mesmo os últimos minutos e simultaneamente o pico da noite.

Os caldenses Cave Story seguiram-se num Sabotage ainda mais composto. Com dois meses, o EP Spider Tracks acabou por ocupar boa parte do alinhamento. Com razão, diga-se visto que faixas como “Fantasy Football” fundem a suave melancolia que a banda recolhe de cantos improváveis do Post-Punk com um som de guitarra bem vincado na tradição Sonic Youth. A competência está toda lá e tirando algumas inseguranças na voz (que também não eram ajudadas pelo som algo confuso) a performance foi feita a velocidade cruzeiro. Não se espere a reinvenção da roda mas sem dúvida que se nota uma evolução clara. É esperar que chegados a um patamar de visibilidade interessante se continuem a perder e não se encontrem com nenhum… cânone.

Texto: Filipe Adão
Fotografia: Rita Sousa Vieira

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