Atillla, projecto de Miguel Béco de Almeida, apareceu no Musicbox. É precisamente este sentido de aparição – parente próximo de vulto fantasmagórico – que define a música do portuense. Há um latente sentido de urgência apriorístico a um bombardeamento aéreo (em que nem falta um toque de sirene em forma de drone) e que não se fica pela promessa: a batida vem improvável e rastejante: bafejada por distorções e baixos poderosos.

A devolução sonora da pedra do MusicBox, tantas vezes nefasta, acabou por se tornar num espelho para um mundo bem próprio. Se ‘V’ tem todas as condições para ser um dos grandes álbuns do ano no que diz respeito à electrónica mais ligada à soturnidade, ao vivo o efeito ainda é multiplicado.

Texto: Filipe Adão
Fotografia: Telma Correia

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