When you’re making music, you’re putting your personality out there, you’re putting your ideas out there, you’re putting dark shit from the back of your mind out there. But that’s where I’m at, at the minute: something really beautiful. I prefer something that really melts you.”, dizia Andy Stott ao The Quietus, em 2012, época na qual estava em cena o LP Luxury Problems, editado pela Modern Love, e possivelmente a grande afirmação do produtor oriundo de Manchester, passados uns quantos EPs igualmente bem sucedidos. Fazendo uma analepse ainda mais extensa, é fácil ir compreendendo a habilidade e a desenvoltura com que este pensa, executa e matura o seu trabalho – a evolução desde o techno/house minimalista e quadricular de Merciless (2006), as passagens pelo dubstep em Millie & Andrea, projecto bi-partido com Miles Whittaker, amigo e parte integrante em Demdike Stare, até ao techno orgânico e melódico de Faith in Strangers, recentemente editado, embora já do ano passado.

Evolução, esta, que não descura da sua continuidade com os seus antecessores. Na passada sexta, foi possível escutar um live repleto desse mesmo conjunto de sons, ou a história de um crescimento criativo profícuo. A arrancar, o cunho sonoro facilmente associável ao últimos registos: negro e nubloso, melódico e lento, envolto nos vocais que se parecem pertencer à já sempre presente Alison Skidmore, num aumento gradual de intensidade estimulado pelas backdrums e ténues vozes secundárias que trazem ao ouvido uma desfragmentação de “How It Was”, faixa integrante neste último trabalho. Adiante, a melodia vem dar lugar ao que, no fundo, iria ao encontro das predisposições do público em geral: sons mais rápidos, mecânicos e infalivelmente dançáveis, sem perder a robustez, por entre pequenas incursões entre o house, o techno e o dub metalino de uma “Damage” maquiavelicamente desconstruída. Num total de perto de 45 minutos percebeu-se exactamente a história, o crescimento e, acima de tudo, a capacidade incrível de Stott para metamorfosear, adaptar e desconstruir, como bem lhe apetecer, o seu trabalho, e encher os ouvidos de um público ávido. O mood-lifting mais do que ideal para, depois, receber o DJ Set alto e abrasivo de RØDHÅD, promessa oriunda de Berlim, co-fundador da Dystopian e curador deste Green Ray.

A noite contou ainda com os sets de Ø [Phase], Konstantin, Oracy e live de ATEQ.

Texto: Telma Correia
Fotografia: Lux Frágil

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