Num palco prestes a receber os HHY & The Macumbas, encabeçados pelo mastermind do projecto, Jonathan Saldanha, tudo parece cuidadosamente alinhavado para um iminente ritual tribal de som, luz, e de movimento. A perfeita celebração sónica, ao já oriundo do passado ano, Throat Permission Cut, editado pela SILO, label bi-partida entre Raz Mesinai e Jonathan centrada no Porto, e distribuído pela britânica CARGO. De ambos os lados das colunas de pedra, as já habituais bandeiras bordadas em encarnados, pretos e brilhos; a artilharia montada: maracas, congas e percussões afins, gears, sopros; e, as luzes, baixas, vermelho a amparar o fervor e, claro, a máscara. Tudo pronto para receber nove pessoas em palco (tende a variar – ora calham quatro, ora sete, ou dez).

É a máscara para a qual olhamos durante praticamente todo o alinhamento, por detrás da cabeça de Filipe Silva (também co-fundador do colectivo SOOPA) que, qual maestro xamânico, se mexe serpenteando de maracas na mão, de costas voltadas.

E as composições do colectivo mexem-se de modo semelhante, serpenteantes por entre estruturas sem forma específica e um molho de influências talvez nem todas terráqueas. “Barbaron” traz-nos as linhas de baixo ondulantes e bem demarcadas do dub, texturas de percussão duais em constante círculo de repetição por entre um caminho aparentemente linear, que a meio se modifica numa sinfonia mais acelerada de sopros em perfeita conjugação. “Isaac, The Throat” e “Reanima Eléctrica” projectam-nos os tambores frenéticos, a um compasso muito mais intenso em crescendo constante, sopros crivados no jazz livre, tal como num qualquer ritual encaminhado para um pico de um êxtase esotérico do espírito para fora dos limites do corpo terreno.

Fotografia e Texto: Telma Correia

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