Desta feita em nome próprio, St. Vincent regressou ao Porto esta quinta-feira após concerto no NOS Primavera Sound em Junho passado. Para uma casa que tardou a encher até bem próximo da hora do concerto e que acabou por se ficar pela metade (não se pode dizer que 28€ seja um valor modesto para um bilhete), Annie fez-se praticamente repetir e veio apresentar St. Vincent na sua quase totalidade.

St. Vincent não é mais Annie Clark. A um olho desatento fica difícil ver em 2014 um resquício da menina tímida que há 7 e 5 anos lançou Marry Me e Actor, respectivamente.  Para o bem e para o mal, o álbum homónimo lançado em Fevereiro passado veio marcar uma mudança nítida na sonoridade e estética da norte-americana e que se faz arrastar de forma total para o palco. A figura de Annie Clark, se antes parecia saída dum filme de Miranda July ou de um qualquer Swanberg, mudou para a de um animal bem mais excêntrico e complexo em aparência, não podendo fugir de forma alguma a comparações óbvias com o Sr. art rock, o camaleão, Bowie.

Que é capaz duma emulação assustadoramente perfeita dos seus temas em palco ninguém poderá duvidar, mas a perfeição que esta St. Vincent representa ao vivo traz consigo um problema nítido e relevante. Em momento algum nos ficou a impressão de que pudesse falhar, de que o estar em palco quisesse realmente dizer alguma coisa. Desde as coreografias sincronizadas aos diálogos decorados (macabros e com o seu quê de graça, sim, não mais do que isso), St. Vincent representa ao vivo tudo o que se quer que uma diva da pop seja efectivamente. Provavelmente, ao existir um ponto em tudo isto esse passa precisamente por aí, mas, se a sátira ao que uma plateia possa querer e ao que é esperado por norma a um artista em 2014 possa parecer um conceito interessante à primeira vista, não nos parece que este lhe assente particularmente bem.

Só após o encore e como se de máscara tirada, Annie Clark subiu sozinha ao palco para tocar “Strange Mercy”, num dos poucos momentos verdadeiramente belos do concerto e provavelmente o único que nos passou por genuinamente honesto.

Fotografia: Carolina Neves
Texto: Rui Andrade

Leave a Reply

Your email address will not be published.