Quinta-feira e a cidade do Porto respirava música. Eram vários os concertos na agenda cultural da cidade, mas, para os metalheads, todos os caminhos iam dar à Sala 2 do Hard Club. Dying Fetus, Goatwhore, Malevolence e Fallujah prometiam uma tour que traria até solo portuense o que o metal tem de melhor, e assim o fizeram.

Com a chuva e o frio a chegarem, deu-se então o início aos concertos, com Fallujah a terem a honra de iniciar esta bela soirée. A sala enchia lentamente, devido à enorme fila que se permanecia à entrada, mas isso não foi motivo para a banda californiana não mostrar a potencialidade que estes têm no que toca a Technical Death Metal com um cheirinho a Deathcore e Progressivo. The Flesh Prevails é o título do mais recente álbum da banda e, como não poderia deixar de ser, maioria da setlist dedicada a ele, sendo os temas intercalados com alguns do seu álbum The Harvest Wombs. Ainda que com uma sala não muito composta, a banda não revelou fraqueza, pelo contrário, a potência e agilidade dos norte-americanos ia conquistando cada vez mais o público, dando abertura ao primeiro mosh da noite. 30 minutos que souberam a pouco, especialmente para os que ficaram do outro lado das portas a tentar trocar bilhete.

 

Sendo a tour composta maioritariamente por bandas norte-americanas, era de esperar que Malevolence, provenientes de terras de Sua Majestade, contrastassem com estas, nem que fosse só pelo sotaque. Mas não foi só isso que eles nos trouxeram de diferente, toda a vibe Hardcore dos britânicos distinguia-os das restantes bandas. A cada música que tocavam, era visível que os breakdowns pesados e groovy riffs iam de encontro com o que o público queria: mais volume, mais violência, menos tretas. Claramente, esta banda tinha algo de especial, pois mesmo sendo muito novatos nestas andanças, mostraram uma maturidade enorme em palco, especialmente o vocalista Alex Taylor, que não deixou os ânimos irem abaixo durante a breve setlist que apresentaram e ainda conseguiu com que um wall of death massivo se desse. Penso ser seguro dizer que estes miúdos (sim, a média de idades é de 20 anos) por mais que tenham a crescer, já conseguem feitos de gente grande.

 

A diferença de estilos musicais era bastante notável, mas nenhuma banda se distinguia mais que Goatwhore, que tinham como objectivo mostrar o que é Black Thrash a sério. Sendo a única banda cujo estilo continha a palavra «thrash» e os membros se vestem de cabedal e spikes, era claro e evidente que um tornado estava prestes a atingir o Hard Club. Iniciando a sua setlist com o primeiro tema do seu último lançamento Constricting Rage of the Merciless, a banda de Nova Orleães mostrou desde cedo que raça e poder é-lhes algo bastante familiar. Sem dar descanso ao público, seguiram-se os temas “In Deathless Tradition” e “An End To Nothing” que, junto com os apelos do vocalista Ben Falgoust II fizeram o público delirar e dar uso às sapatilhas no moshpit. Já mais para o fim do concerto, era notável o cansaço por parte da plateia, mas, sem misericórdia, a banda deu-nos um abanão imenso, onde a bateria rápida combinada com o rock n’roll das guitarras e a voz rasgada, dos temas “Baring Teeth For Revolt” e “Apocalyptic Havoc” terminaram da melhor forma possível este espectáculo.

 

Finalmente, estava na hora de Dying Fetus, deuses do Technical Death Metal. Não é por acaso que os norte-americanos, de Maryland, são uma das bandas mais importantes do panorama musical do metal há mais de 20 anos, e este concerto veio provar o porquê disso mesmo. Assim que o primeiro riff de “In The Trenches” soou, uma massa de público perdeu a cabeça, culminando num dos maiores mosh pits vistos no Hard Club, onde não havia muito por onde fugir. Sem demoras seguiu-se o clássico “One Shot, One Kill” que deu aso a ainda mais agressividade e headbang, continuando com “Intentional Manslaughter” e várias faixas do seu mais recente álbum, Reign Supreme. À medida que o concerto avançava, a banda continuou a impressionar os presentes com a técnica e postura que estes apresentam, deixando de lado qualquer dúvida em relação ao porquê do seu estatuto. O cansaço parecia nem existir, especialmente nos temas finais “Pissing In The Mainstream” e “Kill Your Mother/Rape Your Dog”, onde a expressão «dar tudo» simplesmente não chega. Em modo de despedida, Dying Fetus deixaram-nos com a tão esperada “Your Treachery Will Die With You”, deixando alguns queixos a bater no chão. A precisão, velocidade e brutalidade de John Gallagher e companhia elevaram este concerto a um patamar que poucos até agora conseguiram, numa noite memorável onde reinou a música, a amizade e o álcool.

Fotografia: Carolina Neves
Texto: Carla Moutinho Coelho

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