Na fina linha cada vez mais ténue entre o hip-hop e a música electrónica (de Kanye West, A$ap Rocky, passaria por Flying Lotus, e mais se poderia acrescentar), Zebra Katz abraça o rap, os toques no house e no dubstep, funde-os e projectados para lá dos beats tipicamente sonantes do “novo hip-hop”.

Não só o faz de uma forma particular, como ainda lhe junta elementos dançantes e performativos. Tudo é um espectáculo. Um espectáculo que fez estremecer o palco do Musicbox. Entra imponente, de máscara a cobrir-lhe o rosto e macacão florido, para encontrar um público ansioso, acompanhado à retaguarda por Conrad Carlson (a.k.a DJ Dirtyfinger). Um par de canções depois, sai-se-lhe o macacão e a máscara. “LST CTRL” e “Y I Do”, da mixtape DRKLNG, dão-nos a faceta austera e grave. Mantras circulares, claustrofóbicos, debitados na voz assombrosa de Zebra. “Ima Read”, o grande hino de Katz, e “Tear the House Up” trazem o caos dançável e “Last Name Katz” levanta as vozes conjuntas em uníssono, ripostando «First name Zebra / Last name Katz!».  Houve direito projecção de champanhe e  um par de descidas ao público e chamadas ao público para que subissem ao palco. Zebra (ou Ojay Morgan de nome) sabe projectar bem a sua energia feroz: mexe-se vertiginosamente, ora comedido, ora em plenas acrobacias em palco, sempre de olhar acutilante no público, e no final deixou toda a gente mais do que satisfeita. A festa continuou durante uma meia-hora, com o seu DJ de serviço, Dirtyfinger, nos comandos do som.

Fotografia e Texto: Telma Correia

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