Inserido no festival Sprint To Rock Fest, o Sábado de 15 de Novembro levou ao Stairway Club em Cascais um dos pesos pesados da década de 80 no que ao Doom diz respeito: Trouble.

Antes dos norte-americanos foi tempo de revisitar o manual do género com a prestação dos noruegueses Purple Hill Witch. A onda de revivalismo que parece ter tomado de assalto um país que sempre foi mais reconhecido por outras incursões no mundo da música extrema continua a varrer os palcos de toda a Europa. Apresentando o álbum de estreia lançado em Julho último, o colectivo natural de Oslo encarregou-se de revisitar o que de mais ligado ao doom Black Sabbath fez. Com a influência da banda inglesa sempre muito presente a fórmula só derivou com a incursão em terrenos (ainda) mais arrastados que ocuparam o último terço da actuação e que remeteram para alguns dos grandes momentos do género nos anos 90. Nem os problemas técnicos que afectaram a guitarra nos últimos temas impediram que essa porção tenha sido a mais interessante da actuação.

De seguida os agora totalmente algarvios Dawnrider, banda portuguesa que comemora em 2014 os primeiros dez anos de carreira. Percorrendo a maioria dos momentos da sua história e com um especial ênfase em The Third Crusade (lançado em Maio deste ano), o concerto teve uma trajectória ascendente que culminou com a revisitação a Alpha Chapter e à especialmente rockeira “Keep On Riding” com colaboração de membros que passaram por Dawnrider há uns anos. Sejam de onde forem e apesar das mudanças de line-up, o núcleo duro «Xico» e Conim continua a debitar muito Doom e foram uma adição especialmente inspirada ao cartaz.

Para o fim estava marcado um encontro com a história. Uma história que de resto já conta com 35 anos. Desse tempo só restam os várias vezes mencionados Bruce Franklin e Rick Wartell (o duo de guitarristas) mas um nome seminal do Doom moderno é sempre algo que não pode deixar de despertar um grande interesse. Assim e com uma especial atenção ao álbum de estreia (tocado quase na totalidade), houve direito a uma verdadeira lição do género. Valeu-se pelo revivalismo mas não só visto que por direito próprio a máquina norte-americana continua em produção, embora num registo mais psicadélico como demonstra The Distortion Field lançado em 2013 e que também teve especial destaque. Os lamentos passam apenas pela quase omissão de temas de The Skull do alinhamento e o facto de Kyle Thomas não ser Eric Wagner. No entanto, qualquer uma destas questões acaba por ser marginal e a hora (um pouco mais) de actuação acabou por tocar numa série de pontos fundamentais na história de uma banda que nunca foi suficientemente valorizada pela sua importância num género que muito ajudaram a estabelecer.

Texto: Filipe Adão
Fotografia cedida por Pedro Roque

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