A Ruído Sonoro sempre se prezou por prestar atenção aos grandes artistas nacionais, principalmente quando a qualidade existe. Há muito tempo que a RS se dedica a “catalogar” e ajuda a promover o que para muitos é ainda desconhecido. A obra musical de José Cid é, sem dúvida alguma, digna de atenção num país que nunca prestou muita atenção aos seus discos de rock progressivo/sinfónico. Novamente, mencionamos mais uma obra-prima do rock progressivo português e um dos grandes álbuns de José Cid.

José Cid – 1977 – Vida (Sons do Quotidiano)

É um EP muito especial para José Cid e arrisco-me a dizer muito importante para a nova atitude que o país precisava de tomar e assumir após o 25 de Abril de 1974. Vida (Sons do Quotidiano) é por muitos considerado como uma prequela da obra-prima musical, 10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte, e um dos grandes sucessos musicais da carreira de Cid.

Correndo o risco de estar errado, já que é uma interpretação pessoal, “Vida” tem uma atitude muito política e muito pessoal dovidasonsquotidiano compositor e apesar de neste ano (2014) ter completado o trigésimo sétimo aniversário desde o seu lançamento, ela continua ainda a ser muito actual e fundamental. “Vida” é uma faixa conceptual de mais de 12 minutos que segue o caminho da vida desde o seu nascimento até a morte. Começa com o médico que executa o parto até o acidente de automóvel que interrompe a vida, com uma clareza e mestria lírica muito comum na discografia progressiva/sinfónica de José Cid. No entanto, o momento mais mágico e até mais político da música é reservado para a pequena frase da menina, com a referência à “amor, liberdade e a paz entre os homens”, um lema muito declamado após a revolução de Abril acrescentando a mesma temática ao EP do muito político Onde, Quando, Como, Porquê – Cantamos Pessoas Vivas.

Apesar de ser uma interpretação muito rebuscada e até exagerada do EP, o que é certo é que toda a discografia progressiva/sinfónica de Cid circula em redor da vida, liberdade e o sentimento. Não seria de estranhar que Cid tivesse a intenção de retratar a vida num dos períodos mais conturbados em Portugal, e acrescentar uma vertente e uma componente mais política a uma música que tenta cobrir a vida humana em pouco mais de 12 minutos.

Este lançamento de 1977 segue a mesma direcção musical do antecessor com Quarteto 1111. A presença dos sintetizadores e Mellotron prolongam a ligação do músico com estes instrumentos detentores de um som muito utilizado por grandes bandas de rock progressivo/sinfónico como Van der Graaf Generator, King Crimson, Yes ou Genesis, por exemplo. A componente prog é mais acentuada na fase final da faixa após o acidente de automóvel, no entanto toda a faixa apresenta uma sonoridade mais sinfónica do que  progressiva e descura a vertente psicadélica do disco anterior de José Cid com Quarteto 1111.

José Cid – Vida (Sons do Quotidiano)

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