A batida electrónica que faz mexer o pé a compasso certo, o fuzz sintético e uma voz meio-robotizada a demarcar o passo – “Pro Anti Anti”, na sua contradição coerente abre caminho à entrada rompante de Angus Andrew na pista do Lux Frágil. De capuz a cobrir o rosto, segue a música com braçadas ondulantes, efusivo, ora de braços no ar, ora com pequenos tiques de ombro. Na dança, safa-se. Hipnotiza. E, nos vocais, não fica atrás, bem orquestrado pelos synths de Aaron Hemphill a comandar a artilharia e a percussão de Julian Gross.

Mess, editado por estes Liars em Março deste ano, e parente sonoro próximo do anterior WIXIW, foi o mote para o concerto da passada quinta-feira, 30 de Outubro. Do novo registo, ficámos com um punhado de canções electrizantes, destiladas – a electrónica pungente de “Mask Maker”, “I’m No Gold” ou “Vox Tuned D.E.D” e os vocais fantasmagóricos. Até ao estilhaçar total dos corpos presentes em “Mess On A Mission” e o crescendo de tensão até ao clímax da euforia dos presentes – luzes frenéticas, braços no ar e uns quantos gritos agudos a acompanhar o refrão.

E se trio de Brooklyn sabe perfeitamente debitar batidas de alta-voltagem, sabe também balançá-las com todo o conjunto de exploração sonora bem incutido no repertório da banda – o punk quase dançável de “Plaster Cats of Everything” com as modéstias de “WIXIW” e “No Barrier Fun” e os teclados hipnóticos. A fechar, quis-se sangue. Na síntese perfeita de um crescendo de tensão que os sobe pelos nervos, ficou no ouvido a ladainha em jeito tribal: “Broken Witch” e a bateria furtiva acompanhar – «I, I am the boy. She, she is the girl! / He, he is the bear, we, we are the army! You see through the red haze of blood!!».

Fotografia e Texto: Telma Correia

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