Depois da grande (aliás, ENORME) ressaca do Amplifest, que nos trouxe este ano Swans, Cult of Luna, Yob, entre tantos outros, reservou-se o Hard Club para uns digestivos da boa música que cura a Amplificasom. E após o denso sonoro e samples cintilantes de Tim Hecker, chegou a Post-Amplifest Session de Kadavar, dominada por cabelos longos, fartas tatuagens e roupa preta. A primeira parte desta coube aos Juseph.

Estes rapazes de Vale de Cambra tocam um post-rock/metal com boas intenções: atmosférico, frases bem melódicas, tremolo e shredding no timing certo. Nas primeiras músicas passavam entre ideias e estruturas de forma um bocado incoerente – o que já por si não é necessariamente mau, ainda para mais no post-rock – mas para o final, apostando mais na distorção e em dinâmicas, reinaram. Atrás da banda, a projecção de uma paisagem revelava as suas intenções de fazer viajar. Essa viagem foi com certeza realizada pelo público, que batia fervorosamente palmas no final do concerto.

Seguiram-se no palco os The Picturebooks, banda que acompanha os Kadavar em tour para as suas primeiras partes. Esta dupla de hard/blues rock seria o resultado de uns The Black Keys que cheirassem a whisky e a suor e excluíssem os adornos light. Com a sua bateria sem pratos onde as frequências graves ganhavam preponderância, letras sobre luxúria tanto sussurradas como berradas para os pick ups da guitarra e abordagem linear e pujante, prepararam bem o terreno para a cabeça de cartaz pisar. E quando esta o pisou…

 

Os Kadavar não são uma banda de supressas: este trio alemão de stoner e hard rock quando entra em palco é mesmo para partir tudo. A sua música não é tão desértica como a de outras propostas actuais do género, mas antes uma homenagem ao rock mais pesado feito nos 70’s. Auxiliados por um som brutal onde se ouvia todos os instrumentos com definição, esta máquina de malhas catapultou-as potentes uma após uma, com os solos a transportar para os melhores momentos de um Paranoid e com a distorção do guitarrista em ponto de caramelo. “Living in Your Head”, “Black Sun”, “Doomsday Machine” e o seu riff corredio… todas as músicas soaram melhor ao vivo. E a acompanhar a guitarra estava uma bateria energicamente ríspida e um baixo com atitude e conteúdo.

Contudo, apesar de muito bem tocado, o concerto resumiu-se a este passar de canções, sem efemérides. Saiu-se assim da sala 2 do Hard Club sem os olhos a brilhar, mas com açúcar ácido nos ouvidos. Ficamos à espera de mais Kadavar, quem sabe num futuro Amplifest.

Texto: Gonçalo Tavares
Fotografia: Rita Mota

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