Mais uma vez a República da Música foi a casa de uma noite de peso e cheia de surpresas. A Head Up! Shows trouxe a Portugal a The “Runes” Tour, encabeçada pelos britânicos Bury Tomorrow, nesta que foi a primeira edição do festival Head Up! For The Fall Tour.

Os setubalenses Ash Is A Robot fizeram as honras e, às 20h, subiram a palco carregados de energia, como já é costume para quem os conhece. Ainda que com uma sala pouco preenchida, o público, esse, mostrava-se pouco tímido. Aqui aplicava-se o “poucos, mas bons”, o que permitiu ao vocalista, Cláudio Aníbal, lançar-se em stagedivings um bom par de vezes. Quase em modo flash concert, foram vinte minutos que souberam a pouco, mas que não desiludiram. Every Man Is An Island pisaram o palco logo após uma curta pausa. Já tinham tocado na noite anterior, no Porto, mas ainda assim foram surpresa para a grande maioria que apenas contava com as 5 bandas anunciadas no cartaz. Vindos directamente do Brasil, trouxeram-nos Humans, o seu novo EP que, para os interessados, está disponível para download gratuito no site da banda. A sua formação é bastante recente, mas souberam bem agarrar o público e deixar as energias bem temperadas para o concerto seguinte.

 

Os Lock & Key entraram sem grandes rodeios, a descarregar logo malha após malha e pondo o público sempre em constante mosh. O álbum The Divide vinha fresquinho na bagagem e temas como “So Alone” e “No Acceptance” puxaram para junto do palco aqueles que só agora iam chegando. O suor já era notável mas o cansaço era zero, não fosse a noite ainda uma criança. Já na recta final, um dos circle pits demoveu Rich Lardner a pegar no microfone e a saltar para o meio da multidão, deixando o público com os ânimos bastante quentes. De sangue a ferver, foi assim que os Close Your Eyes foram recebidos. Apesar do som não estar no seu melhor, a banda americana não se deixou abater, descarregando riffs electrizantes que iam lançando muitos em crowdsurfing e os restantes no habitual mosh. O álbum Line in the Sand, de 2013, marcou uma nova etapa no percurso da banda com a entrada do novo vocalista, Sam Robinson, que se mostrou bastante interativo com o público, e, seguindo a deixa de Lardner, também se juntou ao mosh com os fãs.

Hands Like Houses arrastaram muitos fãs até Alvalade. A banda australiana, que tem estado a acompanhar os Bury Tomorrow nesta tour, anda a dar que falar um pouco por todo lado. O seu uso peculiar dos teclados, que não é habitual em bandas do género, dá-lhes uma identidade invulgar e cativadora. A energia em palco é contagiante e facilmente chegava ao público, que se mostrava conhecedor de muitas das letras. Depois de uma noite, até então, mais virada para o metalcore, tivemos aqui o momento para recarregar algumas baterias. “Esta é uma música que fala sobre felicidade”, referiu Trenton Woodley antes de tocarem “No Parallels”, um dos muitos temas que ouvimos de Unimagine e que teve o refrão entoado em plenos pulmões por grande parte dos presentes.

 

A espera seguinte foi mais prolongada que as anteriores. Alguns êxitos da pop foram entretendo os mais impacientes enquanto, em palco, se faziam os últimos preparativos. Bury Tomorrow entraram por fim, pouco passava das 23h, com a poderosa “Man On Fire”, primeiro single do novíssimo Runes, e que já havia sido tocado nesta mesma sala, em Fevereiro deste ano. Aliás, como Dani Winter-Bates referiu posteriormente, esta era a terceira vez que eles pisavam solo português e, consequentemente, a terceira vez naquela mesma sala. Runes é marcado significativamente pela melhoria dos growls de Dani e é também um álbum com muito mais peso e foco nas raízes metalcore da banda. Além dos novos temas, não faltaram obviamente os melhores de The Union Of Crowns como “Royal Blood”, “An Honorouble Reign” ou “Sceptres”. O mosh era constante em todas as músicas, tal como o stagediving, e Dani chegou mesmo a pedir ao público que fizesse um circle pit à volta da mesa do som, pedido ao qual os fãs atenderam sem pestanejar. “You And I”, uma das mais emblemáticas músicas do álbum Portraits, ditou a despedida dos britânicos, que saíram de palco deixando um eco de vozes a gritar por eles. Voltaram mais uma vez para tocar a icónica “Lionheart”, que acabou com boa parte do público a saltar de euforia em cima do palco.

Ao contrário das muitas salas que esta tour tem esgotado, a República da Música apenas se ficou pela metade. Ainda assim, o público português raramente desilude e, quem estava presente no passado dia 29 de Outubro, mostrou que a união faz a força.

Fotografia e Texto: Rute Pascoal

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