Quando se fala em Yann Tiersen, a imagem que nos vem de imediato à cabeça é a das ruas parisienses de Montmartre, onde ao som do acordeão acompanhávamos os passos de Amélie, nesse maravilhoso filme que é Le Fabuleux Destin D’Amélie Poulin. Até mesmo Good Bye, Lenin! deixou o seu vínculo na carreira de Tiersen, que é hoje muito mais que o nome por trás de bandas sonoras. É um artista único, que se reinventa a cada álbum e que nos consegue sempre surpreender.

Mas a sua vinda a Lisboa, no passado dia 19 de Outubro, não tinha como intuito brindar-nos com esses clássicos. As duas sessões, que esgotaram o Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, foram maioritariamente dedicadas a Infinity, álbum que o multi-instrumentista francês lançou este ano.

Às 17h ainda havia uma pequena fila fora das portas do auditório, o que atrasou o concerto nuns ligeiros dez minutos. Quando as luzes finalmente se apagaram, Tiersen entrou, acompanhado pelos restantes músicos, ocupando os seus lugares em silêncio e dando início ao espectáculo. “Meteorites”, último tema a figurar no álbum Infinity, ganhou vida na voz de Ólavur Jákupsson, numa poética história sobre paixões sob um céu de estrelas. Depois de uma pequena viagem ao infinito e de um tímido «obrigado», “Palestine” e “Dark Stuff”, do álbum Dust Lane de 2010, antecederam a uma das músicas mais aplaudidas da tarde. Seria ela “La Dispute”, com o seu começo enigmático na melódica, seguido pelo cativante toque do piano, onde durante breves momentos nos sentimos levados pelo tempo, perdidos talvez entre memórias do passado. Um xilofone marcava o compasso, numa batida contagiante que percorria o nosso corpo. A nossa respiração parecia sincronizar-se neste ritmo vibrante e, se fechássemos os olhos, as melodias pareciam criar paisagens na nossa mente.

O tempo, esse voou, e quando demos por nós já os músicos se dirigiam para fora do palco. A luz acendeu-se e o público aplaudiu, sem cessar, até Yann Tiersen voltar para um encore, desta vez sozinho, e nos presentear com um magnífico solo de piano de “La Longue Route”. A lindíssima “Sur Le Fil” teve também direito a uma valente salva de palmas, numa versão somente ao violino, adornada por um ritmo bastante frenético. Para fechar, “Till The End” reuniu novamente os seis músicos em palco e embalou-nos até à saída, com «we will be there ‘till the end» a fazer-se ecoar no nosso subconsciente.

Texto: Rute Pascoal
Fotografia: Everything Is New

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