O dia 18 de Outubro de 2014 ficou marcado por uma noite com doses equilibradas de brutalidade e melodia, ouvidas e sentidas no acolhedor Beat Club, em Leiria. Sob o olhar imponente de um castelo envolto numa tonalidade amarelada, uma fila considerável de fãs de hardcore, metalcore e derivados aguardava ansiosamente pela sua vez de entrar, enquanto os A Last Day on Earth abriam as hostilidades, ainda com muitos cá fora.

Quando os Ash is a Robot se preparavam para tocar, já o espaço estava completamente a abarrotar, naquela que foi uma das maiores enchentes que já testemunhei no Beat. Uma pura exposão de loucura sonora marcou o início de um concerto a todo o gás, no qual os ‘Ash’ mostraram ser uma banda que cada vez atrai mais atenções e que tem melhorado exponencialmente nas suas prestações ao vivo. O vocalista foi incansável e indomável, quer em palco, onde manipulava agressivamente o microfone (que milagrosamente não acertou em ninguém), quer nas suas descidas para o meio do público, onde foi saudado por uma multidão em êxtase, que fez do mosh pit uma religião ao longo da cerca de meia hora de concerto. Karma Never Sleeps, Ariadne e Philophobia foram momentos chave num concerto irrepreensivelmente intenso.

O suor e o calor dos corpos, uma massa humana compacta, um ar cada vez mais irrespirável: ninguém se importou. Eram os More Than a Thousand a causa de tamanha reunião de apaixonados por música extrema, famintos por momentos de libertação como este. A legião de fãs que a banda conseguiu nestes 14 anos de carreira é impressionante, bem como a sua lealdade e paixão. Foi sem surpresa que a subida a palco dos cabeças de cartaz, com Cross My Heart, ficou marcada por uma grande ovação, e logo de seguida a continuação incessante de mosh pit e crowd surfing, que podia ter corrido mal quando um senhor mais embriagado pensou ser boa ideia saltar do 1º andar. Felizmente, foi dissuadido a tempo. A banda mostrou-se animada e bastante profissional, com uma voz em grande forma de Vasco Ramos, sempre comunicativo, de forma simpática e apaixonada, para com os fãs.

Foram 13 as malhas tocadas nesta noite de Outono ameno, onde não faltaram clássicos como It’s Alive, First Bite e Heist. Após 9 temas, foi tempo de a banda ter um momento mais melódico e sentimental, com In Loving Memory, Midnight Calls e Roadsick tocadas de seguida, podendo o público pela primeira vez em muito tempo descansar, para acabar por libertar o resto da energia no épico final com No Bad Blood. Os More Than a Thousand ao vivo são daquelas bandas que criam empatia instantânea com o público, e esta noite foi certamente inesquecível para todos os presentes, a prova que a música ao vivo não morreu com os “festivaleiros de YouTube”. Venham mais noites assim!

Setlist: Cross My Heart | Fight Your Demons | It’s Alive | First Bite | Nothing But Mistakes | Feed The Caskets | Heist | Lost At Home | Make Friends & Enemies | In Loving Memory | Midnight Calls | Roadsick | No Bad Blood

Texto: David Matos
Fotografia: Marina Silva

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