Depois de se encontrarem na primeira edição do Amplifest, em 2011, Process Of Guilt e Rorcal voltariam-se a unir várias vezes. Para o final deste 2014 apresentaram-nos um split de 12”. Esse trabalho já foi por nós analisado, aqui, e mereceu apresentação conjunta em Madrid, Porto, Lisboa, Málaga e Barcelona. Nós estivemos em ambas as datas portuguesas – primeiro a 17 de Outubro no Porto, na sala 2 do Hard Club, e no dia seguinte em Lisboa, no Musicbox.

17 Outubro – Hard Club, Porto

Numa reedição parcial do que foi o primeiro Amplifest em 2011, o Hard Club voltou a receber os Process Of Guilt e os Rorcal, desta feita para uma das datas de apresentação do split lançado por ambas as bandas no passado dia 10.

Originários de Geneva, os Rorcal lançaram ainda em 2013 Világvége, um dos mais portentosos discos que o ano passado viu nascer e o registo que veio definitivamente catapultar o nome dos suíços para um patamar respeitável entre o género. Desde então têm feito chegar a meia Europa o seu turbilhão de Black Metal traçado a momentos mid-tempo e rasgado a meio pela entrega vocal de Yonni Chapatte. A uma sexta-feira, a que somada a chuva mostrava-se pouco convidativa para sair de casa, os candelabros colocados a ambos os lados do palco arrastavam os céus pesados lá de fora até ao interior duma Sala 2 a meio gás. Por entre o fumo e os flashes de luz branca ritmados pelas descargas de guitarra e bateria, a densidade do concerto dos Rorcal foi-se fazendo crescer. Ainda assim, e se é verdade que o mesmo não durou duas horas, parece-me que bandas na linha dos suíços têm a ganhar com uma abordagem de menos é mais no que à duração diz respeito. A intensidade agradece, e há um limite para o interesse neste tipo de estruturas ao vivo.

Custa a crer que já lá foram dois anos desde a última vez que vimos os Process Of Guilt na cidade do Porto, ainda para mais quando FÆMIN ainda manifesta uma frescura invejável. É óptimo saber que continuam com a mesma entrega de sempre, uma máquina bem oleada que parece ganhar vida em palco. A voz de Hugo Santos continua capaz de fazer tremer alicerces e é tão bem carregada às costas pelo que resta do mundo dos PoG. Arrancando com “Empire” e fechando com a faixa título de FÆMIN, tendo pelo meio passado logicamente pelo material lançado a meias com os Rorcal, a banda portuguesa fez abanar o chão da sala com riffs maiores que o mundo. O Doom não conhece por cá banda maior.

Texto: Rui Andrade
Fotografia: Carolina Neves

 

18 Outubro – Musicbox, Lisboa

Os portugueses Process of Guilt juntaram-se aos meio-suíços Rorcal e lançaram-se em tour pela Europa – uma mini-tour que teve início em Évora no dia 15 deste mês e que terminou no dia 21 em Espanha. Na mala está o mais recente lançamento, um split acabadinho de sair que junta as duas bandas – em gravação e em palco. Depois de uma passagem pelo Porto, os Process of Guilt viajaram rumo ao sul até Lisboa, e deixaram o apertado Musicbox a rebentar pelas costuras. Dois anos depois do aclamado FÆMIN, a expectativa era grande. Houve quem dissesse que nunca tinha visto uma coisa assim. A noite prometia.

Foi à luz das velas, por entre uma nuvem de luz vermelha, que os Rorcal fizeram a sua aparição no pequeno palco do Musicbox. Definir Rorcal não é tarefa fácil. Com ritmos rápidos e riffs crus, uma ambiência por vezes ritualista a fazer lembrar um Black Metal mais atmosférico, mas com passagens a puxar para o Doom e o Sludge, sabe-se lá o que lhes havemos de chamar. Mas talvez mesmo fugindo um pouco aos gosto dos presentes, a banda deu um espetáculo digno de se ver. A presença e entrega do vocalista Yonni Chapate não é coisa que se esqueça com facilidade. Chapate é a alma da banda e tudo se conjuga na perfeição com a sua presença em palco, quer esteja sentado no chão ou agarrado a um qualquer amplificador.

Os Process of Guilt não só nos habituaram a álbuns de qualidade como a concertos de qualidade. Este não foi excepção. Já perto da meia-noite e perante um público ansioso, subiram finalmente ao palco. O concerto, como é habitual, não desiludiu – a banda brindou o público com um concerto imaculado, onde não faltaram os temas recentes mais míticos. Para além das músicas que fazem parte do novo split, houve ainda espaço para o referido FÆMIN.

Texto: Rita Cipriano
Fotografia: Nuno Bernardo

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