No passado dia 10 de Outubro, a tour de apresentação do novo álbum de Grutera arrancou no Texas Bar, em Leiria, perante um público atento composto por cerca de duas dezenas de pessoas. O Passado Volta Sempre é o título do disco, que Guilherme Efe tocou quase na íntegra e mostrou com ele o quão belo pode ser o som calmo, triste e profundo de uma guitarra acústica.

O concerto teve início perto da uma da manhã, quando os primeiros acordes de uma introdução improvisada ecoaram no espaço amplo e de boa acústica do bar. Com “Não Quis Desconhecer-te” e “Tudo Fica” completou-se a primeira parte do espectáculo, finda a qual o músico se apresentou e falou de forma serena e descontraída. A ausência de letras nas músicas foi colmatada pelo narrar das histórias embrionárias de cada uma pela boca do seu criador. Desde os conflitos de tempo na gravação do álbum em “Faltará Sempre Tempo“, a visão desapaixonada de Lisboa e da sua gente em “Gente Quente Aquece Sítios Frios“, passando pela “Lobo“, dedicada a Norberto Lobo e à sua afinação, e ainda a mais filosófica, homónima do álbum “O Passado Volta Sempre“, falando da forma como é importante aceitarmos o nosso passado para poder viver o presente e aprender com os erros.

Além de tocar 10 das 11 músicas que compõem o trabalho que estava em apresentação, ouve ainda tempo para um mimo do álbum de estreia, “Esqueci-me das Rosas“, bem como duas composições novas, a “parte-cordas” inspirado em Kaki KingSe Não Ficares Volta” e “Perdi o Fim“, na qual o concerto, contraditoriamente, encontrou o seu fim, perante um controlado mas quente bater de palmas que, de resto, acompanhou o final de cada tema, mostrando o agrado de uma plateia sentada enquanto mergulhava na magnífica atmosfera criada e sentida de forma notória por Grutera.

Esta foi mais uma prova que concertos intimistas e com pouco público podem ser, e são-no na maioria das vezes, momentos de pura magia compartilhada por poucos mas bons ouvintes. Perdem aqueles a quem, confrontados com a possibilidade de os testemunhar, faltará sempre tempo para aparecer. Nestes casos, o passado não volta.

Texto: David Matos
Fotografia: Marina Silva

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