Depois de uma morte anunciada e de uma ressurreição entre escombros, La Chanson Noire voltou a subir ao palco do Fantasma no Cais do Sodré, em Lisboa, para mostrar que a canção está mais viva do que nunca. O concerto aconteceu no passado dia 24 de Agosto, há quase exactamente um mês, antecedendo a entrada em estúdio para a gravação do quarto álbum, ainda sem data prevista de lançamento.

A noite estava fria, e o espaço do Fantasma nem chegou a aquecer. O público presente contava-se pelos dedos das mãos e a animação também não era contagiante. Afinal o morto era o público. Mas mesmo sem ovações de pé, salvas de palmas em crescendo ou acompanhamentos desafinados, Charles Sangnoir brilhou – como sempre – e no palco do Fantasma celebraram-se os mortos.

Na bateria estava Diogo Guerreiro, numa oportunidade única de ouvir La Chanson Noire com algo mais do que teclado. Ao longo do palco estavam alinhadas as caveiras; cheirava a incenso e a cera vermelha. A noite já ia longa quando Charles Sangnoir subiu ao palco, ao som de “Esquizofrénico”. Seguiram-se os hits “Água Benta”, “Fuck Me”, a lindíssima e sempre inesquecível “Cornucópia”. Sem parar, em direito a descansos. Soube um bocadinho a Festival da Canção com “Cabaret Portugal”; veio depois “Correr Cansado”, a homónima “La Chanson Noire” a arrepiar e a fechar – claro – “Bordel de Lúcifer”. “Vamos beber e fumar!”, anunciou-se, mas ainda vieram mais três. No encore “Natal dos Hospitais”, “Valsa Suína” e, a pedindo de apenas meia dúzia de famílias, “Da Cova ao Caixão”.

 

Playlist: Esquizofrénico | Água Benta | Fuck Me | Cornucópia | Food for the Worms | Piscis | Cação Decente | Valsa de Escombros | Cabaret Portugal | Correr Cansado | La Chanson Noire

Encore: Natal dos Hospitais | Valsa Suína | Da Cova ao Caixão

 

Reportagem: Rita Cipriano

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