Quando o palco secundário é denominado de “Pool Stage” e faz jus ao nome torna-se complicado não assistir a boa parte dos concertos em ambiente aquático e, por outros motivos, submerso.

Assim e após a ambientação (à água, claro), o pós-rock de Solar Corona começou por embalar uma tarde vagarosa e resumiu bem a indolência do momento. Ainda assim bem melhor do que a irrelevância de toda a proposta de Acid Mess cuja aparição foi um convite à piscina. A terminar a tarde o som dançante de Jibóia equivaleu-se à brisa fresca que já começava a surgir.

A partir dai as atenções viraram-se para o palco principal onde as energias queimadas durante a tarde e o consequente jantar não ajudaram a interessante vertente de Punk que os alemães Burnpilot trouxeram até Moledo. O mesmo para o colectivo catalão Prisma Circus embora ai o psicadelismo misturado com blues tenha sobretudo soado gasto e repetitivo.

A segunda parte da noite iniciou-se com os veteranos The Bellrays. A expectativa foi algo gorada com os chavões (“Is this a Rock show” ad nauseam) e clichés “rock n’ roll” a mancharem uma actuação enérgica mas poucas vezes interessante. Para um momento realmente interessante haveria que esperar pelo regresso dos colectivos nacionais, na forma dos incansáveis Black Bombaim. Numa atmosfera bem montada e com um “je ne sais quoi” de sombrio, o desfile de riffs monumentais e um groove muito característico assinalaram o primeiro grande momento do SonicBlast. Seguiu-se a grande atracção do primeiro dia, os japoneses Church Of Misery. As passagens arrastadas e psicadélicas dominaram mais de uma hora de concerto com quase todos os álbuns visitados tendo sido assim, com histórias de serial-killers a assombrar a noite, que terminou o primeiro dia.

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O segundo dia na piscina esteve ao nível do primeiro com a agravante dos hypes injustificados terem berrado a sua presença. A mudança para o palco principal foi portanto bem-vinda tendo a passagem sido feita com os sons suaves e embaladores de Dreamweapon. Coincidindo com o merecido jantar, Guerrera foi ouvido do lado de fora tendo sido já depois dos riffs bem vincados de Blue Pills rasgarem o ar que o regresso se deu. Não sendo exactamente uma proposta excitante, os norte-americanos transformados suecos cumpriram o seu papel.

Entrando já na recta final, os alemães My Sleeping Karma foram responsáveis pelo primeiro grande momento do segundo dia. Embora o som seja inerentemente psicadélico, as texturas são mais “post-rockianas” que outra coisa o que resultou em momentos verdadeiramente épicos nomeadamente na revisitação do monumento que é ‘Soma’. Um dos principais motivos da presença em Moledo era sem dúvida a presença de um nome incontornável na cena stoner nas últimas duas décadas: The Atomic Bitchwax. Foi uma máquina de debitar riffs que invadiu o palco principal não deixando créditos por mãos alheias e fechando o festival em nota alta.

Texto: Filipe Adão
Fotografia: Bruna Amaral (SonicBlast)

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