Salto #09

Segundo dia: menos vento, mais público, mas nem uma coisa nem outra ainda em níveis ideais. Contrastando com a doce melancolia de Noiserv no dia 14, o Palco Experience teve um tratamento mais animado e dançável na sua abertura neste dia 15. Os Salto são uma simpática e divertida banda portuense de pop/rock funky e influência electrónica, que acabou por conquistar um público mais bem composto e dançante que no dia anterior, num concerto bastante mais longo que a meia hora de Noiserv (quase o dobro da duração). Era dia de festa para a banda, uma vez que se celebrava o aniversário do guitarrista/teclista Luís Montenegro, anúncio que levou a uma reacção espontânea no público de lhe cantar os parabéns. Num concerto com direito a confettis perto do final, a banda revelou-se mais uma boa surpresa a pisar o palco secundário, com expoente máximo nos temas “Deixar Cair” (com sing along no refrão por parte do público) e “O Teu Par”. Destaque ainda para a participação de Francisco Ferreira, teclista dos Capitão Fausto, num dos temas.

Norton #06

Os Norton, de Castelo Branco, inauguraram o palco principal no segundo dia com o seu indie rock bem disposto e de fácil escuta. Abrindo com registos do novo álbum homónimo, o longo e progressivo “Directions”, ao qual se seguiu “Closer” e logo depois o expoente máximo do concerto, “Magnets”, a banda pareceu não mexer tanto com o público como seria de esperar. Com temas mais antigos na setlist como os êxitos “Coastline” e “Brava”, algumas pessoas pareceram desinteressadas a partir de meio, enquanto que outros continuavam de pedra e cal a curtir o som na fila da frente. Não agradaram a todos, mas foram sem dúvida competentes e uma interessante adição ao cartaz. Tempo ainda houve para o vocalista agradecer à Antena 3 a aposta em bandas portuguesas.

Nice Weather For Ducks #15

Tal como no dia anterior, a segunda banda a pisar o Palco Experience foi leiriense. No entanto, ao contrário do post-rock etéreo e sonhador dos First Breath After Coma, e seguindo a tendência do palco secundário neste segundo dia, os Nice Weather For Ducks foram uma banda mais animada, extremamente alegre no som. Bem dispostos e simpáticos, num palco decorado com balões, e apesar da mesa de som ter morrido na terceira música, sendo ressuscitada por fita cola, assistimos a um espectáculo com público crescente que atingiu o topo em “2012” e “Little Jodie”, ambas do disco Quack!. Houve também tempo para temas novos, num concerto que apenas pecou por um microfone demasiado baixo nalguns temas.

Peixe Avião #18

Seguiram-se no Palco Fusing os peixe : avião, que trouxeram de Braga o seu rock atmosférico e psicadélico. Com eles trouxeram também um belo sistema de luzes brancas, que além de dar personalidade ao palco ocultaram praticamente a banda, apenas iluminada por trás: foi assim um concerto que se sentiu mais do que se viu. Não faltaram temas mais conhecidos e fáceis de ouvir como “Avesso” e “Pele e Osso” (grande música esta!), mas o concerto foi maioritariamente mais experimental, uma viagem que transcende o simples sentido da audição e invoca outros. Era impossível decifrar se o público estava estático por este tipo de som exigir uma apreciação mais íntima e não externa, se estavam simplesmente enfadados. Acredito que, dado o ecletismo do cartaz e consequentemente da totalidade do público presente, ambas as respostas sejam válidas. Fica para a história um concerto personalizado e competente de uma banda única em Portugal, que justifica a fama que já alcançou, mas que no Fusing pareceu não ter ganho muitos novos fãs.

A Velha Mecânica #11

Eis que sobe a palco mais uma das melhores surpresas deste festival. A dança e alegria do Palco Experience evaporaram-se, dando lugar à sobriedade, peso e tom mais negro d’A Velha Mecânica. Ouvi algures no público, que tinham umas boas duas centenas de pessoas, alguém perguntar “quem são estes gajos? Estão a partir isto tudo!”; e era verdade! Foi um concerto intenso do princípio ao fim, com “Dedos”, “Mil Homens” e “Bandeira Negra” a destacarem-se numa sonoridade com elementos de post-rock, post-metal e spoken word, a lembrar algo entre Mão Morta, Isis e Pedro Abrunhosa, mas num toque bastante próprio e com grandes letras. O público recebeu muito bem a banda que, neste concerto que terminou gritando-se “partida, largada, fugida” da música “Fugida”, deve ter ganho um bom punhado de novos fãs.

Cícero #03

Este segundo dia também tinha um músico não português; no primeiro dia tinha sido Slow Magic, neste foi o brasileiro Cícero (que, no entanto, foi acompanhado por uma banda totalmente portuguesa). Confesso nunca ter ouvido este nome antes de ver o cartaz do Fusing e fiquei impressionado com a legião de fãs nas jovens adolescentes portuguesas que este simpático e tímido rapaz conquistou. Foi fácil perceber porquê, com um concerto de boa disposição mas não naquele ritmo fácil e básico típico da música brasileira. Cícero aposta forte na composição e tem temas mais progressivos, trabalhados e até tristes para os padrões brasileiros. Tocou um tema novo intitulado “Isabel”, que compôs com a banda portuguesa; mas foi com clássicos como “Açúcar e Adoçante” e “Vaga-lumes Cegos” que o público, sobretudo feminino, foi ao rubro na fila da frente. Uma voz e um inglês nem sempre perfeitos, mas um músico com uma prestação bastante sólida.

Miúra #32

Na onda mais agressiva do palco secundário, foi a vez dos Miura, banda local com menos de 2 anos de existência, darem o seu contributo, quando passava meia hora da meia noite. Com uma performance intensa e quase teatral do vocalista, portador de uma voz mais poderosa do que afinada, a banda mostrou um rock em português crú, abrindo com “Memórias de Um Homem Esquecido” e levando o público ao êxtase com “Já Ninguém Escreve Cartas de Amor”. A acreditar nas palavras de “Cerro os Dentes”, o vocalista já viu chorar a mãe; a chorar pode também ficar quem não deu um saltinho a este concerto, sobretudo os fãs de bom rock. Também a acreditar na letra da mesma música, o vocalista já desiludiu muita gente: mas nesta noite acho que ninguém ficou desiludido com os Miura. Pontos extra para a organização do festival por ter apostado numa promessa local!

Capitão Fausto #12

A banda mais esperada da noite eram os Capitão Fausto. Com uma impressionante legião de fãs, sobretudo jovens adultos, foi com o seu rock psicadélico, humor e boa disposição que a banda conquistou a Figueira da Foz na maior enchente da noite. Na sua fusão de rock português com rock clássico, algures entre Pink Floyd e The Doors, houve euforia na plateia e descontracção em palco, enquanto se tocavam temas mais queridos entre os fãs como “Santa Ana”, “Flores do Mal” e “Célebre Batalha de Formariz”. O favor da participação do Francisco no concerto dos Salto foi retribuído, quando o aniversariante Luís Montenegro subiu a palco para tocar “Supernova” com os Capitão Fausto. Fica a imagem de uma banda jovem mas já com um à vontade em palco invejável, capaz de prender todo um mar de gente que entoou canções e curtiu do primeiro ao último minuto. É deste sangue novo que o rock português precisa!

Octa Push #07

A noite fechou com a habitual toada electrónica no segundo palco, onde os Octa Push colocaram toda a gente a dançar com a sua sonoridade exótica e aparência bizarra, acabando por protagonizar uma das maiores enchentes deste palco. “Please, Please, Please” e “Bright Lights” foram momentos chave, no concerto que precedeu o DJ SlimCutz feat. ACE.

 

 

Dia 14 (Primitive Reason, Capicua, You Can’t Win Charlie Brown, For Pete Sake, +)

Dia 16 (Paus, The Legendary Tigerman, Dead Combo, Fachada, +)

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