O festival Rock in Rio regressou ao parque da Bela Vista em Lisboa, dez anos depois da primeira presença e a sexta edição no nosso país. Este ano marcado por um cartaz muito heterogéneo, não só ao longo de todo o festival como é normal, mas também nos alinhamentos diários.

DIA 1 – 25 MAIO – “A noite do entertainer

Este era o dia de Robbie Williams e começou-se a notar desde a abertura das portas do recinto da Bela vista. Primeiro dia do festival e num Domingo (dia de eleições europeias), não agourava ser o pleno arranque. Mas os 10 anos que Robbie Williams esteve sem vir ao nosso país tinha que entrar nesta equação e no final provou-se. Chegámos já no final de Cais Sodré Funk Connection no Palco Vodafone mas deu para ver que houve animação, numa hora em que ainda se deambula pelo recinto a degustar pipocas. Boss AC & Aurea ficaram com as honras de abrir o Palco Mundo, primeiro um repertório de Boss Ac, seguindo com o da Aurea, mistela a meio e cover no fim, que diga-se, foi muito provavelmente o momento mais alto de todo o concerto (Happy de Pharrel Williams). Fomos espreitar Silva onde encontrámos uma assistência levada pela música em si, não tanto pelos seus intérpretes. A maioria da assistência denotava desconhecimento total deste artista brasileiro, soava que ‘tem uma música numa novela portuguesa’, ficamos por aqui, não entusiasmou. Entretanto ao palco principal, subiu Paloma Faith para tentar agarrar o público ao momento. Apesar de uma actuação bastante competente, mais uma vez o desconhecimento pregava uma partida. O público da frente por algumas vezes exortou alguma animação, mas não passou disso.

Estava na hora e o artista sobe a palco entoando: ‘Let Me Entertain You’. Era isto que a maioria ansiava, Robbie Williams anunciou e o entretenimento começara. O britânico é sem qualquer dúvida, um verdadeiro entertainer, e provou-o com uma energia contagiante que espalhou pelo parque da Bela Vista logo à primeira música, o mote estava dado. Depois veio um role de covers, que só surpreendeu quem desconhecia ao que vinha. Entre Queen, Oasis, Blur, R. Kelly ou Sinatra, houve de tudo um pouco, tudo muito afinado e muito bem interpretado. O concerto terminaria com ‘Feel’ e ‘Angels’, dois dos grandes sucessos do artista, arrebatando assim o público e fechando em pleno um muito competente espectáculo.

Terminar o dia no Palco Mundo esteve a cargo de Ivete Sangalo, uma das recordistas em presenças no festival. Não vimos o concerto todo, não poderemos apenas dizer que é mais do mesmo, é apenas mais um epílogo da festa que um espectáculo destes debita. Sempre enérgica, a certo ponto mais que o público. Era já noite dentro, num Domingo, compreensível que a chama se apagasse instantaneamente.

 

DIA 2 – 29 MAIO – Banda de luxo, convidado de luxo

Os The Rolling Stones estavam de regresso ao nosso país, as lendas voltavam e o público esgotou o recinto do Parque da Bela Vista. Logo cedo se começou a notar que ‘este era o dia’, e nem a chuva miúda atrapalhou, apenas arrefeceu umas moleiras no lusco-fusco. O português Frankie Chavez soltou alguns dos primeiros acordes aplaudidos, no Palco Vodafone, com o folk-blues de ‘Fight’, ‘Dreams of a Rebel’, ‘The Search’, ‘Heart & Spine’ e a final ‘Voodoo Mama’ a vincarem o espectáculo. Do pouco que vimos de Rui Veloso, ainda fomos a tempo do ‘Chico Fininho’ (e uma excelente interpretação de ‘Sôdade’ de Cesária Évora com Angélique KidjoLenine), o grande momento até então, num concerto morno mas que fez prender já uma boa assistência no recinto. Terminado este, sobe mais uma vez a colina e ver como corria Triptides, mas uma vez, só já conseguimos ver as últimas músicas, mas estava ali uma boa surpresa a fechar o dia no Palco Vodafone.

No palco principal já ao cair da noite entram os Xutos & Pontapés, o público corre, mira e organiza-se. O que dizer de um concerto de Xutos? Para quem já os deve ter visto mais de 3 ou 4 dezenas de vezes, torna-se difícil o trabalho de falar sobre esta mítica banda portuguesa. Não é o de sempre, há músicas novas, mas não há mecânicas ou espectáculo novo. A fórmula está oleada assim, resulta, estão de parabéns. Pouco de novo a acrescentar musicalmente, o público vibrou e é isso que interessa, havia que fazer o aquecimento para o que estava marcado para o final do dia. Antes de Mick Jagger e companhia entrarem em palco, Gary Clark Jr. acalmou os ânimos com o melhor do seu blues, agradando, claramente, aos apreciadores de música bem medida. Com o concerto a incidir maioritariamente no disco “Blak and Blu”, Gary teve ainda espaço para uma rendição a uma das suas maiores influências, B.B. King, com o tema ‘3 O’Clock Blues’.

Mas a noite estava preparada para os míticos The Rolling Stones, eram por quem o público esperava e arrebataram a audiência logo ao primeiro acorde. Numa actuação muito competente, os britânicos debitaram o seu rock no palco principal da Bela Vista. Entre os seus grandes êxitos e muita correria em palco, uma inesperada surpresa levou o público ao rubro, foi a entrada do ‘Boss’ Bruce Springsteen em palco. Mas o mediatismo da banda foi levado ao extremo, quando se soube que o ex-presidente do EUA, Bill Cinton, estava a assistir ao espectáculo na cabine de som frontal ao palco. É por estas e por outras que os The Rolling Stones são considerados a maior banda rock do mundo.

 

DIA 3 – 30 MAIO – “O rock nas mãos dos Queens Of The Stone Age”

Para o terceiro dia de Rock In Rio foram apontadas as sonoridades mais pesadas e, ainda assim, as mais jovens. Era dia de se consumar o regresso de Linkin Park a Portugal, banda que vai marcando a presença no nosso país pontualmente neste festival. Também Queens Of The Stone Age regressavam, um ano depois do mega-concerto que encerrou o festival do Meco, tal como Steve Aoki, que já tinha garantido em Algés os melhores after-parties do Alive.

Ainda que a presença do sol se tenha manifestado durante a tarde, o concerto dos Salto não parece ter aquecido muito num dia reservado a um público visivelmente mais jovem, onde as t-shirts de Linkin Park se faziam desfilar em cada canto do recinto. Os brasileiros Capital Inicial subiram ao palco principal com uma pujança incrível. Uma espécie de ‘Xutos lá do sítio’, já com mais de três décadas de estrada. Concerto muito animado, pese apenas o desconhecimento que o público denotava ter para com quem estava em palco. Atingidos pelos horários, Blood Orange viram o seu exótico e eloquente desfile cheio de groove a receber pouca atenção dos presentes no Palco Vodafone, quando a maior parte do público que os poderia apreciar já esperava no Palco Mundo os Queens Of The Stone Age. Ainda assim, os trunfos foram todos jogados à mesa ao abrir para convencer a ficar mais um pouco – uma versão de ‘Heartbreak Hotel’, de Elvis, e as dançantes e calorentas ‘Chamakay’ e ‘You’re Not Good Enough’ a despertarem a curiosidade máxima. A rever, ou ver, numa próxima oportunidade em Lisboa, numa situação em que sejam senhores da atenção.

Sem palavras a medir, seguia-se o concerto do dia. Os Queens Of The Stone Age tiveram quase hora e meia de concerto para ensinar a dar um concerto de rock aos miúdos e graúdos que só queriam ver Mike Shinoda a mandar umas rimas em Linkin Park, mas o pontapé de saída foi fraco. Visivelmente afectados pela escassa afluência da audiência nos primeiros segundos, viram-se também derrotados pelo péssimo som, muito distante e pouco definido nas primeiras três faixas. A explosiva ‘Millionaire’ (o título é enorme, chamemos-lhe assim) não foi assim tão explosiva, ‘Go With The Flow’ de seguida não teve o impacto que se esperava e até ‘3s & 7s’ viram os seus solos e mega riffs pouco perceptíveis. Algo desarmados, os QOTSA não desistiram e acabaram por dar a volta a partir de ‘Burn The Witch’, ainda que seguida por um bonito mas parado momento da balada ‘…Like Clockwork’. A metade do concerto que seguiu acabou por fazer valer grande parte do bilhete, com ‘Little Sister’, ‘Fairweather Friends’, ‘Sick Sick Sick’ e até a viajante e estendida ‘Better Living Through Chemistry’ a arrancarem finalmente os pés e as ideias de quem assistiu. As finais ‘No One Knows’ e ‘A Song For The Dead’, esta última com direito a solo de bateria por Jon Theodore e com uma presença cada-vez-mais mítica de Josh Homme, foram as restantes notas de um concerto que, apesar das dificuldades iniciais, passou extremamente rápido, tal como no Super Bock Super Rock do ano transacto.

Pouco merecedores da banda que lhes aqueceu a audiência, os Linkin Park não fizeram por menos para deitar (quase tudo) a perder. Quem é que não quer temas de “Hybrid Theory”? Qualquer fã que se preze procura sempre ver ao vivo temas do álbum que os lançou para o estrelato. Os Linkin Park respondem ao pedido e fazem a vontade… mas pouco. Aliás, muito pouco. Sim, os temas foram tocados, mas quantos deles na íntegra? Entre fragmentos, passagens, solos, remixes e palavras com o público, tornava-se difícil perceber quando é que a banda estava a tocar uma faixa ou se a estava a utilizar como música de fundo para a próxima intervenção. Algumas faixas só tinham direito a introdução, enquanto que outras tinham direito a dois ou três minutos extra de acabamento. O concerto valeu pelas completas ‘Points Of Authority’, ‘One Step Closer’, ‘In The End’ e ‘Faint’, enquanto que as versões adulteradas de ‘Numb’ e ‘Crawling’ fizeram levar as mãos à cabeça. Isto não se faz, especialmente depois do espectacular concerto dado no Rock In Rio Lisboa de 2012. E para apalpar terreno para o que se seguia, até Steve Aoki teve direito a comparecer num tema, ‘A Light That Never Comes’, colocando-se ainda mais a pergunta: foi um concerto ou um DJ set?

Sprints em palco, confetis e bolos para a atmosfera. É um pouco isto em que os ‘melhores DJ’s’ do mundo se tornaram. É esta a evolução da música electrónica direccionada às grandes massas? Compreendo, mas não aprecio! Steve Aoki deu espectáculo em palco com todas as animações que tinha ao seu dispor, o público apreciou e bateu forte o pé. Musicalmente, nada há a dizer.

 

DIA 4 – 31 MAIO – “O reflexo do triunfo dos Arcade Fire”

O dia 31 de Maio recebeu um público confuso. Tanto a popularidade de Lorde e Ed Sheeran invocavam uma audiência gritante e algo histérica, assim como Arcade Fire se mostravam a referência maior de um público mais discreto, fechado, como se tivessem ido parar ao festival errado. Foi com este misto de públicos que iria surgir também uma Homenagem a António Variações no Palco Mundo, a celebrar o 70º aniversário do falecido músico.

Alvos de um crescente fenómeno de popularidade, os Capitão Fausto brindaram o Palco Vodafone com as suas melhores camisas, num ambiente bastante veranil, com “Pesar o Sol” a ser claro foco de apresentação. O 60’s psych rock que tocam convencem muito mais ao vivo que em estúdio, proporcionando aos próprios uma atmosfera pseudo-nostálgica de uma era que não viveram. O público respondeu bem, tendo muitas letras e ritmos na língua e nos pés, acolhendo também a banda em cada crowd surfing que os seus membros se habilitaram.

António Variações será sempre uma figura mítica no panorama musical português e é sempre de louvar o ‘esforço’ dos seus colegas de sempre, que fazem com que relembremos quem foi o artista. Mas, sempre um mas! Relembra-se de Humanos num mítico festival no sudoeste alentejano, espanhóis e ingleses questionavam os nativos: «Quem são estes? Que bom som!».  Esta homenagem preparada por elementos de Linda Martini e Deolinda, Gisela João e Rui Pregal da Cunha, não correu bem, de todo. Tudo muito desconexo, desafinação de voz em quase todos os interpretes, não se percebia muito bem o que se estava a passar. Esta Homenagem a António Variações não foi um momento para recordar, talvez sim, para reflectir.

Tiveram a bênção dos Arcade Fire, que se dirigiram ao Palco Vodafone para os ver, mas a verdade é que Wild Beasts não parecem ter convencido grande parte do público. Com ‘Mecca’ a ser jogada logo de início e com ritmos pouco vincados, a sua música foi-se perdendo à medida que os minutos passavam e o Sol caía, não justificando em palco o alarido que se faz com “Present Tense”, álbum que editaram este ano. Faltou mais jogo de cintura para convencer o público que ali se encontrava, claramente concentrados no concerto que iria fechar o Palco Mundo neste dia.

As jovens deliravam nas grades, os cartazes eram mais coloridos, Ed Sheeran estava pronto a entrar em palco. O jovem apresentou-se em palco um pouco introvertido mas fez realçar uma qualidade latente enquanto as notas iam soando no palco principal da Bela Vista. Com uma voz muito característica, acordes e letras simples, o artista britânico deu um espectáculo muito competente, ovacionado pelo público no final. Dever cumprido.

Com as atenções meramente voltadas para o Palco Mundo, a neozelandesa Lorde trouxe ao Parque da Bela Vista em estreia em Portugal os motivos da sua rápida ascensão. Os dois Grammy’s que já ostenta, conquistados no ano passado, especialmente devido ao single ‘Royals’, viram-se justificados em pleno – uma atmosfera própria, sombria, digna de indoors de um clube duma downtown americana. Verdade seja dita: a rapariga, com apenas 17 anos, tem mais segurança e confiança em palco que artistas com décadas de carreira. A sua dança fantasmagórica, carregada de espasmos e movimentos lunáticos, fez dela uma marioneta no centro do palco, ilustrando a excelente performance vocal ao longo de todo o concerto. Um palco minimal, escuro, apenas iluminado pelas escassas batidas dos outros dois membros em palco, fizeram parecer que ‘Buzzcut Season’, ‘400 Lux’ e ‘Team’ estavam a ser interpretados numa sala para 150 pessoas. ‘Royals’ acabou por passar despercebida num concerto que deverá ter ferido os cépticos, naquela que deverá ter sido, a par da aparição de Bruce Springsteen no concerto dos Stones, a mais agradável surpresa do Rock In Rio Lisboa 2014.

A fasquia tornara-se elevada. Os canadianos Arcade Fire, com mais um excelente álbum na bagagem (e vão quatro?), revelaram-se com uma figura de fato espelhado, que desceu pelo conhecido slide do recinto, enquanto eram apresentados em bom português. A faixa-título ‘Reflektor’ deram voz às primeiras palavras de Win Butler, dando fiel acompanhamento aos ritmos quentes e algo sambáveis do disco mais recente. Enquanto “Reflektor” era mostrado a Portugal pela primeira vez, os Arcade Fire não jogaram para as costas algumas das fantásticas faixas de “Funeral”, álbum de estreia – ‘Neighborhood #3 (Power Out)’ e ‘Rebellion (Lies)’ foram jogadas logo ao início numa cartada triunfante, com duas daquelas músicas que qualquer banda gostaria de ter no repertório. ‘Joan Of Arc’ garantiu o sotaque francês de Régine Chassagne numa nova incursão às novas malhas, que acabariam por ser seguidas por um punhado de visitas a “The Suburbs”, inclusive uma persistente ‘Month Of May’ que não quis arrancar, por duas vezes, sem se saber se propositado ou se azar de palco. Nós acreditamos em propósito, pois esta permitiu uma versão curta a capella de ‘My Body Is A Cage’, num dos momentos mais inesperados do alinhamento. E com o Parque da Bela Vista a ser claramente cenário das chegadas aéreas ao Aeroporto da Portela, Win remata ‘No Cars Go’, com o primeiro verso a dizer-nos «we know a place where no planes go» – um dos pontos mais altos, como seria de esperar.

Os singles ‘We Exist’ e ‘Afterlife’, este último com um fragmento de ‘Temptation’ dos New Order, deram mais gás à audiência, entre saltos e cantorias da celebração. ‘It’s Never Over (Oh Orpheus)’ permitiu Régine numa plataforma avançada do palco, perto da régie, vendo a sua imagem espelhada em fundo de palco, de frente para o seu marido, bem ao estilo dos videoclips da década de 80. Em estilo encore, com os ritmos brasileiros a darem conta do som, os cabeçudos-«reflektors» da banda tomaram o palco com ‘Normal Person’, antes do desfile, festa e dança de ‘Here Comes The Night Time’, onde entre a chuva de confettis se conseguiu avistar Lorde em palco. ‘Wake Up’ haveria de fechar um concerto soberbo, daqueles uplifters, com cereja no topo de um bolo de excelência. Os Arcade Fire são assim, afinal, triunfantes – partiram da posição de cabeça-de-cartaz menos mediático e tiveram a assistência mais fraca dos 5 dias, mas deixaram-nos o melhor concerto do festival e um dos melhores do ano.

 

DIA 5 – 1 JUNHO – “Eis o novo rei da pop”

Para o derradeiro dia do décimo aniversário do Rock In Rio Lisboa, a música pop tomou de assalto às guitarras que sobraram dos restantes dias do Palco Mundo, mas a atenção inicial foi para os Linda Martini no Palco Vodafone. Com “Turbo Lento” a ser espremido em cada espectáculo recente do grupo português, este palco crepuscular não se viu como excepção – temas como ‘Volta’, ‘Sapatos Bravos’, ‘Febril (Tanto Mar)’ e a estridente ‘Ratos’ gritaram presente num concerto onde se ouviram pedidos de Sick Of It All pelo público, prontamente respondidos a negativo pelo baterista Hélio Morais. ‘Cem Metros Sereia’ havia de fechar, num espectáculo sem grande história.

No Palco Mundo, João Pedro Pais e Jorge Palma juntaram-se para fazer desfilar as suas conhecidas faixas, permitindo ao primeiro fazer-se explodir e impressionar a audiência com uma presença inesgotável. O segundo acabou por colocar um pouco de água na fervura, já enquanto o Sol se punha e se caminhava em direcção à ponta oposta do Parque da Bela Vista – os Bombay Bicycle Club iriam subir ao Palco Vodafone. Com um total de catorze faixas, metade delas do novo “So Long, See You Tomorrow”, a banda britânica mostrou-se feliz por voltar a Portugal, e os momentos altos vão inclusive para as brilhantes faixas desse disco, como a inicial ‘Overdone’, as dançantes ‘It’s Alright Now’ e ‘Feel’, a bonita ‘Luna’ e a final ‘Carry Me’. Sem fazer muito por isso, acabaram por deixar, em 40 minutos, a marca de um dos melhores concertos desta edição do festival, fechando também este Palco Vodafone com o melhor concerto que recebeu. Enquanto isto, Mac Miller proporcionava no Palco Mundo uma desenxabida propaganda de más línguas, acabando-se por revelar um erro de casting perante a substituição de Nile Rodgers com os seus Chic.

Atenções viradas para o Palco Mundo e o encerramento do festival. Jessie J acabou por proporcionar um espectáculo surpreendente, com uma excelente banda a acompanhar-lhe nas estrondosas incursões vocais, mostrando ao Parque da Bela Vista os ritmos pop que lançou. ‘Domino’ e a final ‘Price Tag’ não poderiam faltar, mesmo visitando ‘Wonderwall’, dos Oasis, em acústico, e lançado ao público um fragmento de ‘Treasures’, de Bruno Mars. Depois disto, maiores eram as expectativas para Justin Timberlake. Este não vacilou perante tamanha responsabilidade. Fechar o Rock In Rio, seja em que cidade for, é tarefa digna de registo e o ex-‘N Sync mostrou-se à altura do desafio. Justin deu-nos taglines de Jay-Z e Kanye West, deu-nos versões de ‘Shake Your Body (To The Ground)’ dos The Jacksons e ‘Heartbreak Hotel’ de Elvis Presley e, sobretudo, disse amar Portugal. Na sua estreia por cá não faltaram temas do recente “The 20/20 Experience”, utilizando ‘Suit & Tie’ e ‘Mirrors na recta final, permitindo às célebres ‘Like I Love You’, ‘Cry Me A River’ e ‘SexyBack’, de discos anteriores, soarem claros pontos altos da noite. Foi num espectáculo melómano, perante 80 mil pessoas, com coreografias estudadas ao milisegundo, que se visitou ‘Human Nature’, de Michael Jackson, roubando-lhe o trono e a coroa, pois eis Timberlake, o novo rei da pop.

 

No total, passaram pelo recinto 345 mil espectadores  durante os cinco dias do festival, tendo um dia esgotado (29 de Maio). E não fosse o exemplo dado por este dia que estava esgotado e poderíamos afirmar que o recinto aguentava o fluxo, mas não. No dia de Rolling Stones, algumas zonas eram parecidas a ‘sardinha em lata’, a ajuntar o facto de haver muitos ângulos mortos no recinto que também não ajudam.

Rock Street com homenagem ao Reino Unido e Irlanda, apenas com Heineken é uma pequena desilusão. Esperou-se ver um néon reluzente com o símbolo da Guinness ou outra, mas de bebida, só se encontrou referências à Ucal. Esquecendo ironias, visualmente estava um trabalho muito bem conseguido, e a cereja estava no centro, com o palco mais animado de todos os dias. Terra Celta, Melting Pot, companhia de dança Bamba, entre outros, deram espectáculo ao longo de todos os dias do festival.

Em 2016 há mais, quando a cidade do rock se voltar a instalar no parque da Bela Vista. No geral, foi um ano muito positivo, justificado por boas surpresas e grandes confirmações.

Texto: Ricardo Raimundo / Nuno Bernardo
Fotografia: Nuno Bernardo / AgenciaZero.net
Agradecimentos: Organização / Lift Consulting

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