Savage GoldQue a alquimia é um tema cativante para os entusiastas do oculto, não é novidade. Para os Tombs, depois de um bem sucedido e aplaudido “Path Of Totality”, coube-lhes pegar no metal (sim, isto é um jogo de palavras) e tentar transformá-lo num pedaço dourado, selvagem, não fosse este novo disco intitulado “Savage Gold” com a abordagem alquimista como tópico de conversa de Mike Hill. Se em “Path Of Totality”, de 2011, já observávamos uma firmeza entre os campos do black metal um pós-punk negro, da fábrica de Killing Joke, seria de esperar um sucessor capaz. Um sucessor sólido.

“Savage Gold” revela a mesma interpelação, mas a sua perseverança mostra-se ferida, deixando os Tombs vaguear entre o primor e o grosseiro em poucos minutos – exemplo disso são os espaços tentadores obtidos na atmosfera a la Joy Division em ‘Deathtripper’, fazendo daquela guitarra notável um elemento aborrecido numa linha de baixo assustadoramente boa, sendo a faixa seguida por uma ‘Edge Of Darkness’ saída de um álbum de Watain, sendo pouco fiel àquela fé depositada no disco anterior. Todo este álbum é uma mão-cheia de sentimentos antagónicos, que tanto cativa e brilha naquela pedalada a dobrar, como a inábil vocalização à Fernando Ribeiro de ‘Echoes’ o faz recolher do leitor. Na verdade, custa afirmar, perante os Tombs, que o disco é salvo por momentos verdadeiramente genuínos, pouco duradouros, numa luta contra uma monotonia de linhas de baixo fantásticas e alguns riffs demolidores. Aliás, nunca poderemos afirmar que este é um passo em frente perante “Path Of Totality”, mas também não é um passo atrás – é sim um passo ao lado, muito ao lado.

Perante uma produção limpa e robusta de Erik Rutan, temos um “Savage Gold” despido das suas boas expectativas, alimentado apenas pelo talento que sobrou da incursão anterior. Nestes dias da Next Big Thing do pós-black metal, leia-se universo pós-“Sunbather”, tem que se perceber que, não sendo a primeira vez, nem tudo o que reluz é ouro.

// Nuno Bernardo

Que a alquimia é um tema cativante para os entusiastas do oculto, não é novidade. Para os Tombs, depois de um bem sucedido e aplaudido "Path Of Totality", coube-lhes pegar no metal (sim, isto é um jogo de palavras) e tentar transformá-lo num pedaço dourado, selvagem, não fosse este novo disco intitulado "Savage Gold" com a abordagem alquimista como tópico de conversa de Mike Hill. Se em "Path Of Totality", de 2011, já observávamos uma firmeza entre os campos do black metal um pós-punk negro, da fábrica de Killing Joke, seria de esperar um sucessor capaz. Um sucessor sólido. "Savage…
Nunca poderemos afirmar que este é um passo em frente perante "Path Of Totality", mas também não é um passo atrás - é sim um passo ao lado, muito ao lado.

[Álbum / Relapse Records / 10 Junho 2014]

Classificação

58%

Nunca poderemos afirmar que este é um passo em frente perante "Path Of Totality", mas também não é um passo atrás - é sim um passo ao lado, muito ao lado.

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