Seth Haley (a.k.a. Com Truise) falava em tempos à Dazed Digital de uma certa narrativa que trazia na cabeça e que transpunha para a sua música: a história do primeiro astronauta no mundo e da sua viagem até a um planeta. E cada lançamento seu aparecia enquanto o próximo passo na sua jornada. “Wave 1”, o EP editado em Fevereiro deste ano pela Ghostly International, depois de um intervalo entre os últimos lançamentos, “Galactic Melt” (2011) e “In Decay” (2012), foi o mote para o concerto do passado sábado no Musicbox, em Lisboa. Neste trabalho preciso, o nosso astronauta chega a um estranho planeta que se parece não exactamente com a Terra, mas detentor de qualquer coisa familiar. ‘Subsonic’, a grande estrela deste último lançamento, ‘Misere Mei’ e ‘Declination’, que inclui vocais de Joel Ford do duo Ford & Lopatin — onde integra também Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never) — foram alguns dos temas apresentados deste último registo.

Diante de uma plateia bem-composta e dançante do início ao fim (nem os breves problemas técnicos ao início parecerem um entrave), Haley fez, principalmente, uma viagem pela maioria do seu repertório numa ainda longa hora e meia, e alguns minutos. Numa primeira parte, ouvimos uma boa mão-cheia dos temas de “Galactic Melt”, entre eles, ‘Cyanide Sisters’, a abrir, ‘Iwywaw’, ‘Sundriped’, ‘Brokendate’, ‘Future World’ e as contagiantes ‘VHS Sex’ e ‘Cathode Girls’. Ficámos igualmente com um punhado de temas de “In Decay”, entre eles ‘Controlpop’, ‘Klymaxx’, ‘Colorvision’ e ‘Data Kiss’, mesmo a fechar, em resposta a um pedido vindo da audiência; ‘Beta Eyes’, do EP “Fairlight”, e dois temas integrados na sua série de mixtapes “Komputer Cast”, ‘Galactic Melt’ e ‘A Dat 1’, a trazer ao ouvido as influências dos alemães Kraftwerk. No fundo, esta foi uma viagem cujo destino nos pareceu familiar. Temas antigos já conhecidos e as sonoridades, neste último registo, já disseminadas pelo seu repertório: a electrónica a lembrar visuais galácticos e espaciais, as batidas down-tempo, as texturas analógicas e denteadas, quase que geométricas, e o repescar do synth-pop dos anos 80.

A cargo da primeira meia hora de espectáculo, esteve o projecto a solo, EGBO, do português Iuri Landolt, a chamar uma electrónica com uns toques de hip-hop, que conta já com dois EPs online, “XYZ”, mais recente, e “Sinkin’ Ships”, lançado em 2012.

Texto e Fotografia: Telma Correia

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