No ano de 2010, Matthew Barnes trazia ao mundo a sua assinatura enquanto Forest Swords sob a forma do EP “Dagger Paths”. Um passo inicial certeiro no caminho que se propunha a trilhar – uma sonoridade electrónica no limbo de um punhado de influências (do dub, ao techno), de ritmo minimalista, denso, por entre ressonâncias e sons que se estendem e repetem em texturas abstractas, e que nos conduzem até espaços visuais ensombrados, fantasiosos e meio sombrios. Três anos mais tarde, em linha com o caminho bem-afortunado já percorrido, surge-nos “Engravings” (Tri Angle), o LP de estreia de Forest Swords, e a sequela certa e lógica do registo anterior – mais amadurecido e de arestas bem limadas.

Foi este o trabalho que apresentou na passada Terça-Feira, no Musicbox, perante uma sala bem-composta, num espectáculo incisivo, porém de curta duração. Em menos de uma hora, acompanhado do seu baixista e amigo apresentado pelo nome de James, e intercalando entre a guitarra e a sua workstation, fez umas passagens por alguns dos temas do acima citado “Dagger Paths”: ‘Rattling Cage’ perto do início, ‘The Light» e ‘Miarches’, atirando ainda uma nova música, já no encore, aparentemente ainda por intitular. Sem enfrentar o público, tenuemente iluminado numa área mais periférica do palco, Matthew Barnes é de algum modo um artista ensimesmado, e isso reflecte-se na sua postura em palco – enérgica, ritmada, mas introvertida, e na música que produz. ‘Thor’s Stone’, integrante no seu último trabalho (em larga parte misturado ao ar livre, na península de Wirral, em Inglaterra), remete-nos para um cenário pictórico, carregado de algum hipnotismo místico – a par das vozes nebulosas em ‘Ljoss’ ou os ecos de ‘Friend, You Will Never Learn’, já lançada no final do espectáculo, acompanhado de projecções de padrões abstractos ao fundo em complemento do cenário.

A cargo da primeira parte esteve Blac Koyote, o projecto do português José Alberto Gomes, como mote para o lançamento do sucessor do primeiro álbum, lançado em 2011, o recente “Quiet Ensemble”, editado pela Easy Pieces (sub-editora da PAD). Na frente do palco, em pouco mais de meia hora, apresentou uma mão-cheia de trabalhos ilustrativos da electrónica de ambiente soturno, esparsa e minimalista que explora neste novo trabalho.

Fotografia e Texto: Telma Correia

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