Não faltaria ‘Muito mais gente’ para lotar completamente a sala 2 do Hard Club na primeira noite de fim-de-semana do presente mês de Maio. Acontecimento pouco habitual quando em palco estão bandas portuguesas, a dita enchente deveu-se à presença dos crescentemente populares Paus na cidade invicta, para um concerto em que a banda se propunha apresentar o seu novo álbum de originais, de nome “Clarão”. E foi mesmo um clarão que se sentiu no Hard Club: a par das luzes intensas, o calor dentro da sala era facilmente perceptível tanto pelo público como pela banda. Calor atmosférico e, claro, calor humano. Enfim, os efeitos de uma enchente.

O conceito dos Paus é, pelo menos a nível nacional, diferente do que estamos habituados a ouvir. Nele, a «voz» é o ritmo, o que muda drasticamente a percepção que se tem da banda, especialmente ao vivo. Durante os concertos o público não canta. Não há espaço para isso. O que há, é ritmo. «Pum». «Pá». E o público dança. Abana-se, consoante as batidas calculadas de forma matematicamente perfeita vão sendo ora mais rápidas, ora mais lentas. E estas eram retiradas, como foi dito, de um enorme ”Clarão”, mas sem nunca esquecer os discos passados, aqueles agora mais distantes, menos iluminados.

E foi assim que o concerto dos lisboetas foi dançando até ao fim. O que começou iluminado pelo recente álbum foi retornando até aos «clássicos» do passado. E o público? O público dançava, observando as luzes intermitentes, também elas rítmicas. E, por momentos, tudo parava e a banda comunicava, mantendo todos atentos. Mas, no fim, era a música que sempre falava mais alto.

Texto: João Vinagre
Fotografia: Carolina Neves

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