Depois do sucesso da 10º edição, comemorada no ano passado, o Moita Metal Fest voltou mais uma vez para nos proporcionar o habitual fim-de-semana de peso a que a Moita já se acostumou.

Para a primeira noite, as portas abriam às 20h30 mas o público só se foi juntando à porta da Sociedade Filarmónica Estrela Moitense por volta das 21h, o que resultou em longos minutos de espera para os menos pontuais. A noite começava com uma banda prometedora, constituída por apenas 3 membros entre os 13 e os 18 anos. São eles Sangue Lusitano, que nos presentearam com o seu instrumental progressivo em músicas como ‘Cabo das Tormentas’ e ‘Adamastor’ e que surpreenderam todo o público pelo talento destes jovens artistas. Seguiram-se Bleeding Display que entraram a rasgar com o seu death metal e deram origem ao primeiro mosh da noite. Destaque para a cover de Cannibal Corpse, ‘Hammer Smashed Face’, que deixou rapidamente o ambiente da sala bem quente. Uma das surpresas da noite, The Quartet of Woah!, mostraram que o rock também pode estar presente num festival de metal. Começando de mansinho e a culminar num espectáculo entusiástico e psicadélico, deixaram-nos todos boquiabertos em temas como ‘The Path Of Our Commitment’ e ‘U Turn’, do seu álbum de estreia “Ultrabomb”.

A seguir abriram-se alas para a banda da casa, Switchtense, que vieram pôr o sangue a ferver. Os circle pits eram constantes em quase todas as músicas e era notório o carinho do público pela banda, não fossem eles os responsáveis por fazer acontecer, todos os anos, este belo festival na vila da Moita. As letras, essas já estão na ponta da língua, e entre os mais entusiasmados que saltavam para o palco para estar junto do grupo, o resto da festa fazia-se cá em baixo no mar negro de gente que preenchia a sala. A fechar, do país vizinho vieram os Angelus Apatrida, cabeças de cartaz deste primeiro dia que terminava com uma valente dose de bom thrash metal espanhol e que esgotaram as energias de muitos em temas como ‘Blast Off’ e “You Are Next’. Houve ainda tempo para a participação especial de Hugo, dos Switchtense, que dividiu os vocais com Guillermo Izquierdo na música ‘Fresh Pleasure’. Deu-se por terminada assim esta primeira grande noite de música que reuniu 5 bandas de 5 estilos diferentes numa única sala.

E para sábado, aqueles que não quiseram perder pitada, às 15h já se encontravam prontos para a maratona de concertos do segundo e último dia do fest. Coube aos Burn Damage a difícil tarefa de abrir os concertos de sábado, tarefa essa que eles executaram perfeitamente, dando logo azo aos primeiros mosh pits da tarde, ainda que a meio-gás. É ainda de sublinhar os excelentes vocais de Inês Freitas que a muitos surpreendeu. Seguiram-se Kapitalistas Podridão, banda de death metal recentemente formada (em 2012) e que utiliza a sua música para nos deixar mensagens que retratam temas como a corrupção política, a criminalidade e as injustiças do nosso país, e assim continuarão «gritando verdades e berrando raiva que só mortos nos irão silenciar». O groove afirmou-se de seguida na pele de Diabolical Mental State que trouxeram malhas valentes bem ao estilo do thrash e que puxaram até pelos mais preguiçosos que se deixaram levar ao som da banda lisboeta.

A festa continuou com os coimbrenses Tales For The Unspoken que devastaram a plateia com os seus poderosos riffs carregados de força e muita pujança, com direito à estreia do tema ‘Soul for a Soul’ nunca antes tocado ao vivo. Vindos ainda de mais longe, os portuenses Equaleft continuaram ao estilo do groove, agora num tom mais progressivo, e trouxeram das margens do douro um som pesado e vigoroso que valeu muito mosh e crowdsurf pela plateiaO sol já se punha lá fora, mas dentro ainda faltavam os My Enchantment tocarem antes da pausa para jantar (e descansar as pernas). Há mais de uma década na estrada, estes barreirenses continuam a dar ao público o melodic black metal em que se enquadram, desde a emblemática ‘Machinery’ até à mais recente ‘Inner Sactum’, do novo EP “The Death of Silence”.

Baterias recarregadas e tudo pronto para mais uma noite ao rubro, começando com Gates of Hell que rapidamente reuniram a plateia que se tinha dispersado. Sempre a rasgar, o ambiente aquecia a passos largos e eis que o punk entra na área com os Viralata. A sua boa disposição contagiava o público e temas como ‘Ivone’ foram entoados por toda a sala.  A representar Espanha pela segunda vez nesta edição, apesar de uma boa contribuição nacional, chegaram os Scent of Death que, com o seu brutal death metal, descarregaram a brutalidade necessária que o público precisava para continuar aquecido para as actuações que se seguiam. Depois do concerto na passada edição do Moita Metal Fest, os Primal Attack voltaram para mostrar que estão cada vez maiores, e isso denota-se na legião de fãs que os seguem. Sempre a esgalhar do início ao fim, o seu groove estendia-se além do palco e chegava até ao fundo da sala. Ainda perto do final, Hugo, mais uma vez, junta-se a Pica e ambos entoam ‘Despise You All’.

Trinta & Um trazem-nos novamente a onda punk ao palco, e afirmam-nos que apesar das divergências ao longo do caminho estão para ficar, uma vez que já são quase 20 anos a fazer o puro punk rock nacional. De entre muitos temas, destacamos a mítica ‘Merda de Polícia’ de 1997 que fez as delícias dos fãs. E estava quase a chegar ao fim mais uma edição do MMF, mas não antes dos portugueses Gwydion celebrarem as tradições do folk metal nas terras lusas. Entre muitos brindes e percorrendo temas do recente “Veteran”, como ‘Fighting To The End’ e ‘Math of War’, os minutos iam-se passando a voar. Uns dançavam, outros faziam circle pits de copo na mão, e os mais tímidos… esses iam batendo o pé. Muita diversão, amizade, headbang e copos (com moderação, claro), são estas algumas das coisas que definem o Moita Metal Fest e fazem dele um dos melhores festivais da margem sul e arredores. De referir ainda menção que muitas bandas fizeram a João Ribas que, infelizmente, nos abandonou mas que estará sempre presente em eventos nacionais de carácter underground.

Sempre a melhorar a cada edição, e com a afluência a aumentar gradualmente, ficamos à espera das surpresas do próximo ano… onde sem dúvida as palavras de ordem serão «MOITA C*RALHO!»

Fotografia: Nuno Bernardo
Texto: Rute Pascoal

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