Quando demos notícia deste concerto, fizemo-lo acompanhar a seguinte expressão: «Um cenário que promete fazer esvoaçar paisagens e nublar sentimentos é um forte motivo para estar às 22h00 nesta sala da Margem Sul…». Pois bem, o mote foi bem dado.

Foi, no entanto, perto das 23h30 que os barcelenses Indignu se estrearam em Almada, na Cine-Incrível, um espaço bastante humilde e acolhedor. A noite foi dedicada a “Odyssea”, o segundo disco da banda, consagrado pela imprensa nacional e até europeia, lançado no ano passado e sendo apontado como um álbum de topo, intemporal. O palco estava decorado com nuvens sob uma ilustração que quase contava uma história por si, e assim que as guitarras, o violino e a bateria se começaram a escutar, deu-se início a uma viagem. A resultante? Algo tão atmosférico que se transformou numa odisseia de pensamentos.Um leve arrepio ao som de um violino sofrido, guitarras a «chorar» emoções num tom que desperta uma sensação de tormento. O significado pessoal pode ser imenso nestas ocasiões, pois foi com um enorme prazer, depois de um dia de trabalho [a título pessoal], que se acabou a noite com sensação de encontro da paz interior. Foi uma bonança após uma tempestade.

O resultado provocado revela uma versatilidade enorme entre os membros da banda, em que se nota bastante o trabalho de equipa com um sentido íntimo e pessoal, num espírito de co-ajuda em palco. Também é a nível pessoal, e em registo informal, que se pode sentir um orgulho enorme em conhecer uma banda tão sincera e original como Indignu. E mesmo sendo esta expressão mais comum a bandas que nos visitam lá de fora, a sua estreia em palcos da Margem Sul exigem um «Voltem depressa, deixaram saudades!».

Uma aventura, um “Odyssea” tocado na íntegra e vários sentimentos deixados em cada pedaço dos muitos instrumentos que se tocaram em palco.

Texto: Filipa Alexandra
Fotografia: Nuno Bernardo

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