Uma quinta-feira viu a primeira visita de Spectral Haze a Portugal, com a primeira data desta Iberica Space Out Tour em Lisboa. Apesar do dia de semana o Sabotage Club encheu-se consideravelmente e por entre o contraste com a fria temperatura exterior e o fumo desenhou-se a atmosfera de uma noite que se queria densa e arrastada.
Todavia, o início foi em clara dissonância com o fim. O Folk Rock de Bicho do Mato abriu o evento numa toada descontraída e quase dançante. Guitarras acústicas distorcidas, cavaquinhos electrificados e inúmeras referências zoológicas marcaram boa parte da actuação. Não estando enquadrados no cartaz a atitude descomplexada acabou por resultar bem.
Repetentes no espaço, os A Tree Of Signs mudaram completamente o jogo dentro do Sabotage. Cada vez mais a banda se embrenha na identidade marcada de Diana e torna-se mais “rockeira” sem nunca, no entanto, perder o misticismo e o peso característicos. A mistura de ambientes foi resultando bastante bem, tendo sido surpreendente ver como resultam tão bem na mesma actuação músicas tão diferente como sejam “Greate Python” e o novo single “Saturn”, principalmente pela natural diferença das intérpretes.
A fechar estavam os noruegueses Spectral Haze na sua primeira tour. Os pontos negativos primeiro: o som está longe de ser original e há alguma necessidade de rodagem pois algumas falhas ainda são por demais evidentes. Tudo o resto é bom: o riff alucinante, o ambiente caótico, as longas paisagens sonoras alimentadas a ácido e até os inúmeros solos assentam bem ao jovem colectivo. Em geral, espera-se mais daqui a alguns lançamentos com as falhas a não serem mais que algumas dores de crescimento.
Texto: Filipe Adão
Fotografia: Pedro Roque

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