Shelter. Uma palavra não podia ser mais apropriada para o que todos procuravam na passada terça-feira no Porto. Um dia de chuva e vento fortes, que certamente espicaçou o melancólico que há em nós, mas que também poderia fazer com que alguns preferissem ficar em casa. Porém, foi já ao final do dia que a Natureza deu tréguas a todos os que se deslocariam ao Hard Club e proporcionou o ambiente ideal para uma noite que se revelaria imensamente íntima.

A abrir as hostes estavam os britânicos The Fauns e o seu post-rock extremamente minimalista. Riffs ambientais e dinâmicos, ritmos simples mas empolgantes, tudo unido pela calma voz de Alison Garner, numa amálgama de texturas que se revelou bastante interessante. O público, esse, mostrava-se atento a tudo o que lhe era projectado, reagindo mais vivamente aquando das músicas de ritmo mais acelerado.

 

 

De seguida, os Hexvessel revelaram-se como sendo a banda mais surpreendente da noite, isto porque o seu concerto diferiu bastante do que a banda apresenta em estúdio. De facto, a sua presença em palco, com uma bateria forte, baixo especialmente vincado e toada lenta, criou todo um ambiente que não estaria particularmente longe do de um concerto de doom metal (com um pouco menos de distorção). De destacar também que a variedade de instrumentos usados (para além das tradicionais guitarras, baixo e bateria) resultou muito bem ao vivo, conseguindo ter o seu espaço no espectro sonoro da banda. Assim, este acabou por ser um bom espectáculo, com o público a responder, já no final, com leves headbangs.

 

 

No entanto, o verdadeiro trunfo da noite ainda estava para vir. Alcest, a apresentar “Shelter”, lançado este ano, deram um concerto verdadeiramente memorável, que terá até agradado àqueles que não apreciam a nova direcção da banda. Apesar da diferença estilística, as várias músicas deste novo álbum encaixam, em concerto, bastante bem no restante material da banda, pelo que foram recebidas de excelente forma pelo público que praticamente encheu a sala 2 do Hard Club. Óbvio que os «clássicos» têm sempre um espaço especial no coração dos fãs, o que fez com que músicas como ‘Percées de Lumière’ ou ‘Souvenirs d’un Autre Monde’ tivessem sido destaque de um concerto que se revelou consistentemente bom. O som, de resto, encaixou às mil maravilhas no ambiente que a banda pretendia criar, permitindo que todos os instrumentos fossem audíveis na medida certa.

Em jeito de conclusão, os franceses Alcest acabam por assinalar mais uma boa passagem pelo Norte de Portugal. Esta é, de resto, uma zona que a banda parece particularmente gostar, algo que foi referido várias vezes durante o concerto. E ainda bem que assim o é. É que nós, os ouvintes, também os gostamos muito de os ver por cá.

 

 

Texto: João Vinagre
Fotografia: Carolina Neves

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