O espaço do Musicbox esgotou-se para receber uma noite de riffs bafientos e arrastados cortesia exclusiva da costa Oeste norte-americana.

O arranque de Lord Dying obedeceu às premissas anteriores: distorção hiperbólica acompanhada com uma secção rítmica com tendência para a cadência poderosa e sem quaisquer contemplações. O riff em estado bruto é o território que definitivamente mais encaixa no som da banda de Portland sendo que os solos e as incursões mais lentas são uma situação de “hit and miss” que quebra algum do impacto ao som. Daí alguma inconstância ao vivo que contrasta com a solidez de Summon The Faithless (álbum de estreia) e que provocou uma abertura de noite algo morna.

Seguiram-se os californianos The Shrine com uma actuação mais extensa e diversa. O som deambula por entre riffs com uma atitude demarcadamente Hardcore misturados com um feeling bem 70’s Hard Rock (Motörhead à cabeça) e alguma esquizofrenia à mistura. A violência psicadélica da banda nem sempre conseguiu transparecer na totalidade devido ao som algo embrulhado mas mesmo assim foi notória a ambição da proposta que a banda transporta, nomeadamente com “Zipper Tripper” e “Primitive Blast” onde as diversas acelerações e desacelerações se iam encaixando na perfeição. No geral, só uma actuação quase estratosférica dos cabeças de cartaz empalideceu (ainda que muito ligeiramente) o brilho de uma banda que sendo descomplexada contém mais do que simplesmente agressão e atitude ocas e transparece como um verdadeiro caso de sucesso no que concerne à formação de uma identidade musical bem demarcada.

Red Fang. Poderia ser mais uma banda com um hype gigante (à dimensão da centena, claro) pela certeira presença no palco do Milhões de Festa… mas é bastante mais do que isso. É um colectivo que faz do Stoner Rock “metalizado” um modo de vida bem entranhado em gemido das 6 cordas, cada harmonia vocal, cada break incaracterístico, enfim, cada pulsar de som que o quarteto debita. Embora o último Whales And Leeches fosse o mote, temas inevitáveis como “Hank Is Dead” (de Murder The Mountains) e “Sharks” (do homónimo álbum de estreia) marcaram – e de que maneira – presença. Aliás, a capacidade de conciliar três álbuns que apesar de uma linha de continuidade acabam por ser bastante diversos entre si é um dos principais elementos de relevo naquilo que os Red Fang alcançam. As viagens entre terrenos mais psicadélicos e a pura bestialidade arranjam espaço para incursões quase inocentes de momentos mais “catchy”, sem nunca beliscar ou limitar minimamente a criatividade do colectivo. O espaço a abarrotar pareceu pequeno para tamanha demonstração e não é de espantar que com tanta receptividade o regresso esteja para breve. Assim seja.

Reportagem por Filipe Adão

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