Em 2013 tive a oportunidade de participar em alguns concertos memoráveis, mas há eventos que nos deixam um calor muito específico na alma e nos quais se torna um verdadeiro privilégio participar. A festa de lançamento de “Veteran” dos Gwydion na República da Música a 07 de Dezembro foi precisamente um desses momentos.

Nessa noite já demasiado distante, o que três bandas nacionais fizeram foi puramente épico. Vamos lá saber porquê!

DSC_2086aAo palco sobem em primeiro lugar os Grog, uma banda já icónica na cena grindcore nacional, e que continuará a distinguir-se de todas as outras pelo excepcional humor com que abordam a sua música e presença em palco.

Sempre com Pedro Pedra à sua frente, a formação dos Grog encarou com leveza os problemas técnicos iniciais e sacudiu-os do capote como se fossem irrelevantes grãos de areia para atirarem ao público uma prestação monstruosa. O ainda curto número de fãs presentes entrou muito rapidamente em êxtase e furioso heabanging, impulsionados por uma banda que era uma maravilha de se ver em palco.

Dinâmicos e seguros de si, os Grog não só mostravam os seus já reconhecidos dotes técnicos, como o faziam como se a música fizesse parte de cada nervo, carismáticos e com a lascívia cortante que se exige a uma banda de metal. Em particular, Alexandre, no baixo, era uma cobra que se contorcia tão perigosamente quanto as suas linhas rítmicas.

Por isso lhes foi exigido um encore que tanto banda quanto público mereceram.

Seguiram-se os Insaniae, com uma missão muito difícil, após a efervescência da actuação anterior, e o som geral não ajudou. Infelizmente, até por volta do terceiro tema, a cristalina voz de Isabel Cristina dificilmente se ouvia.

Quando tudo ficou mais ajustado, os Insaniae mostraram porque são para muitos – inclusivamente para o autor – uma das mais subvalorizadas bandas de Portugal, com o seu Doom incisivo e visceral, onde a fabulosa Isabel Cristina se destaca como uma das grandes vozes nacionais.

O público não reagia com o mesmo ímpeto que com Grog, porque a música a isso não se prestava, mas com o prosseguimento do concerto tornou-se notório que os Insaniae estavam a conquistar os presentes. No final de tudo, banda e Isabel em particular eram o tema de conversa, a vocalista não tendo deixado ninguém indiferente, e só posso esperar que esta actuação lhes tenha ganho bem merecidos fãs.

E então chegou a vez da banda da noite, os Gwydion, mas apesar de uma surpresa estar prometida, ninguém esperava realmente a amplitude do que aconteceu, quando a banda subiu ao palco escoltada por um esquadrão de soldados medievais trajados a rigor.

DSC_2545aEm palco, os Gwydion tinham a pose de uma banda consumada e atiraram a sua música como uma chuva de espadas contra uma muralha de escudos prestes a ceder. A República da Música estava cheia como em poucas ocasiões, mostrando que uma banda Portuguesa pode encher uma sala se tiver ambição, talento e um projecto.

Nesta noite dedicada a Veteran, do qual a titânica “Math Of War” é icónica, o novo álbum foi tocado praticamente na íntegra, apenas com a ausência de “Lured to Comfort”. De resto, temas tão gloriosos quanto “Womb of Fire” e “Fighting to the End” alinharam-se com músicas mais clássicas da banda como “Triskelion Horde is Nigh” ou a favorita “From Hel to Asgard”.

E porque esta era para ser uma noite especial, tivemos o prazer de ver em palco de novo Isabel Cristina, acompanhada de Célia Ramos (Mons Lunae), mas o mais impressionante foi a luta de espadas que se deu em plena plateia, numa demonstração da perícia da arte de matar medieval.

Foi assim que este se tornou um dos concertos mais grandiosos do ano em Portugal, e os Gwydion estão de parabéns pelo modo como estão a levar o seu projecto a novos níveis, mostrando que com um pouco de sorte e muita dedicação, nem as fronteiras de Portugal são assim tão restritivas!

Texto e Fotografia: Marco Trigo

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