Domingo à tarde. A altura da semana em que normalmente nada se passa, em que a preguiça fala mais alto, em que a casa é o sítio para estar. Este seria o cenário normal para o passado dia 1 de Dezembro, mais um desses lentos domingos, não fosse a Hell Xis presentear-nos com outros planos. É que aquele era dia de matiné de hardcore no Hard Club, com os nova-iorquinos Agnostic Front a encabeçar uma tarde/noite que contava de resto com quatro bandas a apresentar um pouco do que se faz no hardcore em Portugal. Um evento de eleição portanto. Assim, lá nos deslocámos mais uma vez em busca de bons concertos, o que já tem vindo a ser hábito na casa em questão.

E como seria de esperar, foi a banda mais “pequena”, os Answers Within, que teve as honras para abrir as festividades. O seu som que mistura vários géneros acabou por se revelar bastante interessante, ainda que fosse claro que a banda ainda está em estado embrionário. Isto revelou-se até pela forma como a banda comunicava com o público, não o fazendo da melhor maneira, o que causou reacções mistas no (muito pouco) público presente. De facto, foram as mesmas 30 que assistiram ao primeiro e segundo concerto da tarde, este dos nortenhos Shitmouth. Com um registo Hardcore old-school, este foi um concerto rápido e agressivo, com as músicas curtas da banda a trazerem os primeiros acordes de verdadeira violência da tarde. Por culpa, mais uma vez, do pouco público presente, este foi um concerto sem grandes moshes ou movimento, o que se revela um pouco decepcionante quando falamos em hardcore. Ainda assim, uma boa performance da banda, que certamente merecia mais público para que o seu conceito funcione em pleno.

E falando de boa performance, seguiu-se a “ovelha negra” do cartaz. Sendo a banda, em termos de género, mais deslocada do cartaz, os Revolution Within apresentaram o seu thrash/groove Metal de forma imaculada. Contando agora sim com alguns headbangs no público, este acabou por ser o primeiro concerto verdadeiramente marcante da tarde. Mais uma vez, ficou portanto provado que metal e hardcore não são, de todo, incompatíveis, algo que a banda fez até questão de realçar. Porém, a noite era claramente do hardcore, algo que os Grankapo fizeram questão de realçar. Agora perante uma sala bem mais composta, a banda despejou a sua música sem contemplações, sempre puxando pelo público, o que, conjugado a um bom som, acabou por se tornar num dos destaques da noite. Foi, portanto, o primeiro concerto em que se libertou a energia que faltou nos restantes momentos do dia.

Porém, nada se comparou àquilo que aconteceu quando os Agnostic Front entraram em palco. Sempre com uma atitude bastante «pissed-off», a banda foi alternando entre os seus álbuns clássicos e mais recentes, debitando cada nota como se fosse a última. Não faltando clássicos como ‘Gotta Go’ ou ‘Crucified’, a cada refrão o público reagia com sing-alongs e moshes, naquilo que foi o ambiente mais puramente hardcore da noite. De destacar ainda a interação da banda com o público, que incluiu oferta de merchandise por parte da mesma. Por fim, o concerto termina com uma cover da clássica ‘Blitzkrieg Bop’ dos Ramones, uma versão que deixou o público em apoteose.

Talvez por causa da hora pouco habitual ou do preço do bilhete algo elevado para os dias que correm, o público foi notoriamente escasso. Se nas primeiras bandas nem 50 pessoas estavam na sala, nos cabeças-de-cartaz a sala não estava nem perto de estar cheia. Ainda assim, as bandas souberam «remediar» a situação, dando bons concertos e fazendo a festa com todos os presentes. Foi, por isso, mais uma tarde bem passada no Hard Club.

Texto: João Vinagre
Fotografia: Carolina Neves

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