A respeito da presença, em Portugal, do lendário grupo de rock progressivo, Camel, lançamos este especial, Fundamentais do Progressivo, totalmente dedicado à banda britânica, com dois álbuns primordiais da sua discografia.

Camel – 1975 – The Snow Goose

Este é o terceiro álbum de estúdio, e foi recebido de forma muito positiva, tanto pela crítica profissional como pelos fãs do grupo. É dos poucos álbuns conceptuais, integralmente, instrumentais, apresentando um conceito baseado na obra de Paul Gallico, The Snow Goose. A história centra-se na personagem Rhayader, um homem solitário, que, com o auxílio de Fritha, ajuda um ganso da neve a recuperar dos seus ferimentos. The Snow Goose é uma narrativa musical instrumental, com 16 faixas e com mais de 40 minutos de duração. A história de Rhayader vai sofrendo diversas reviravoltas, e apesar de não haver vocal, o ambiente instrumental criado pelo grupo esclarece todo o conceito.

Lista de faixas para The Snow Goose:
01. The Great MarshThe Snow Goose
02. Rhayader
03. Rhayader Goes To Town
04. Sanctuary
05. Fritha
06. The Snow Goose
07. Friendship
08. Migration
09. Rhayader Alone
10. Flight Of The Snow Goose
11. Preparation
12. Dunkirk
13. Epitaph
14. Fritha Alone
15. La Princesse Perdue
16. The Great Marsh (Reprise)

Andrew Latimer e Peter Bardens tocam grande parte dos instrumentos no disco e apesar de todo o álbum parecer muito bem orquestrado e ensaiado, contém uma forte vertente de improvisação, à semelhança com álbuns posteriores e anteriores dos Camel. The Snow Goose é dos discos mais melodiosos da discografia do grupo, e apesar de ser, integralmente, instrumental é considerado como um disco mais acessível, quando comparado com outros álbuns como Mirage, Moonmadness ou Rain Dances, por exemplo.

Este ano 2013 marca o 38º aniversário de um disco que marcou a carreira da banda, e que, ainda hoje, surpreende os entendidos do rock progressivo, desde críticos profissionais até revistas da especialidade.

Camel – The Snow Goose (álbum na íntegra)

Camel – 1976 – Moonmadness

Logo a seguir ao espectacular The Snow Goose, sai, em 1976, mais um álbum essencial para o desenvolvimento do rock progressivo, Moonmadness. O grupo volta ao normal, adicionando vocais aos seus álbuns, após o lançamento do muito bem concebido álbum de 1975. Moonmadness foi o último com a formação original de Andrew Latimer (guitarra, sopro, voz), Peter Bardens (teclado, voz), Andy Ward (bateria, percussão, voz) e Doug Ferguson (baixo, voz).

Tem quase 40 minutos de duração e apesar de ter um conceito, não o segue como uma narrativa. Por isso, não poderá ser considerado um álbum conceptual, por falta de seguimento lógico, mas é certo mencionar que tem um conceito, fundamentalmente, baseado nos músicos do grupo. “Air Born” sobre Andrew Latimer, “Lunar Sea” sobre Andy Ward, “Chord Change” baseada em Peter Bardens e “Another Night” inspirada em Doug Ferguson.

Lista de faixas para Moonmadness:
01. Aristillusmoonmadness
02. Song Within a Song
03. Chord Change
04. Spirit of the Water
05. Another Night
06. Air Born
07. Lunar Sea

Moonmadness é um dos meus lançamentos preferidos dos Camel, desde a suavidade de “Chord Change” até à intensa melodia e força de “Lunar Sea”, este disco parece ter um pouco de tudo. Latimer faz aqui uma das melhores exibições da sua carreira, com um impecável desempenho do início ao fim do álbum. As pontes instrumentais funcionam na perfeição e encaixam, perfeitamente, no ambiente melódico do disco, com a intro “Aristillus” ou “Spirit of the Water”, esta última, com Peter Bardens nos vocais, é principalmente uma transição para “Another Night”, por isso me refiro a “Spirit of the Water” como uma faixa, fundamentalmente, de ligação com cerca de 2 minutos de duração.

Moonmadness consegue ainda ser uma das melhores produções da banda, e decerto uma das melhores dos finais da década de 70. Adicionando tudo isto à mestria de Latimer e companhia no campo criativo e exibicional, este quarto álbum de estúdio consegue ser uma excelente adição à nossa colecção do progressivo.

Camel – Moonmadness (álbum na íntegra)

// João Braga

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